Dia do Amigo e Internacional da Amizade, com Sílvia Guerra

Maria José Rocha Lima A nossa homenageada no Dia do Amigo e Internacional da Amizade é a professora e escritora renomada Sílvia Maria Anastácio Guerra, uma das finalistas ao Prêmio Darcy Ribeiro da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, tendo sido indicada pela deputada baiana Lídice da Mata. Sílvia Guerra vem fazendo um relevante trabalho social de tradução, produção e distribuição de audiolivros para a comunidade em geral, para a Rede de Pessoas com Deficiência da Bahia (REDE PCD), Instituto dos Cegos do Brasil, ONG Abraço, que lida com crianças atingidas pela zica, e audiolivros para orientação dos pais de crianças em tratamento de câncer. Para a conquista do Prêmio, ela conta também com o apoio da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia –ACEB. A professora, PHD em literatura, acaba de lançar mais uma obra relevante para a educação de crianças: Semeando a Amizade. No livro, ela ensinando sobre a arte de fazer amizade. A obra é singela, educativa auxiliar pais, professores, pedagogos e psicólogos na adaptação das crianças que mudam de escolas. Semeando a Amizade é um recurso a mais para abordagem das dramáticas infantis e, quem sabe, dos grandes, que ainda não descobriram como se constrói a amizade, nesses tempos difíceis, nos quais não sabemos lidar com a ambivalência do amor e ódio, tão característica do ser humano. No prefácio do livro, Tatiana Anastácio Carreira escreveu que “mudar de escola é uma realidade na vida das crianças. Ficam para trás a escola conhecida, as amizades, os laços afetivos com colegas e professores. Não se trata exatamente de perder, e sim de somar, de conquistar outros amigos, conhecer novos professores, viver uma nova e divertida realidade”. A obra é uma primorosa e sofisticada construção lúdico – didática, que ensina à criança como fazer amizade, semeando, brincando, vivenciando, filosofando. Ao ensinar à criança como se adaptar criativamente, sugere aos professores como fazê-la, utilizando esse novo recurso. A autora produziu a obra para o seu netinho Rafael que estava prestes a mudar de escola e, como é natural, preocupado com as perdas dos coleguinhas, da professora, do conforto do ambiente conhecido. Mas, com uma boa dose de afeto, paciência e boa arte de ensinar, a autora iniciou o Rafinha na arte de fazer novas amizades. Sílvia Guerra construiu uma metáfora, na qual a amizade foi construída, semeada, como fazemos na semeadura. E ela e o seu netinho semearam os grãos de feijão. Diariamente, Rafinha regava os feijões, que, dia após dia, iam crescendo, irrompendo do grão, mostrando os primeiros brotos, como precisamos fazer para ter amigos. Ela ensina que com açúcar, afeto e boa dose de paciência ajudaremos a criança a enfrentar novos desafios e fazer novos amigos. A arte de cultivar e manter amigos deve ser ensinada desde cedo. Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em educação. Foi deputada de 1991 a 1999. Presidente da Casa da Educação Anísio Teixeira. Psicanalista e dirigente da ABEPP. Membro da Organização Internacional Clube Soroptimista Internacional Brasilia Sudoeste. Publicado originalmente no site: Planalto em Pauta
Suspensão de descrença nos Contos de Fadas

Conversando sobre os Contos de Fadas, com o meu sobrinho Ricardo Oliveira Rocha, ele me falou: “Para interpretar os contos de fadas é preciso adotar a Suspensão de Descrença
Dona Teresinha, Respeito e Delicadeza – Seja Tenente ou Filho de Pescador

Maria José Rocha Lima* Parabéns, minha amada mãe, Dona Teresinha, pela passagem e comemorações dos seus 89 anos! Angélica, a sua generosa cuidadora, seu anjinho protetor, como sempre, foi muito feliz ao inscrever no seu bolo de aniversário: “Teté, nós te amamos”. A mais pura verdade pronunciada. Como é bonito ver que por onde a senhora passa é apreciada, respeitada, pela sua firmeza, altivez, delicadeza, paciência, compaixão, sabedoria e carisma, que atrai a atenção de todos, para além dos familiares que a cercam. Desde menina, sempre ouvi as pessoas comentarem: Dona Teresinha trata a todos igualmente, com respeito e delicadeza. Homem, menino, menina, mulher, seja tenente ou filho de pescador ou importante desembargador, como diz o compositor baiano Jerônimo. Por isso, toda essa gente irradia a magia, e as comemorações do seu aniversário de 89 anos foram cheias de presenças e gestos amorosos, todos torcendo na corrida rumo aos 100 anos. Foi carinho para lá e para cá em casa com os seus netos Adriano e Marcelo Magalhães; ligações por vídeos do seu filho José Antônio, dos seus netos Ricardo, Renan e Lucas, da sua ex-nora Fátima Oliveira, de mim e do seu genro Miguel Lucena; de sua irmã, Alzidéia, sua sobrinha Kátia, de amigas como Dalva e Karina; de Portugal, ligou sua filha Sueli, do seu genro Xico Canato e familiares, da sua filha do coração Rose e esposo Álvaro e dos grandes amigos que você conquistou em Portugal: Margarida e Beca, entre muitas outras mensagens. Assistindo a uma palestra de uma jovem neurocientista eu me lembrei da senhora. Ela perguntou: Qual é o maior problema do mundo? A plateia respondeu: “Corrupção; ganância; concentração de renda; extorsiva cobrança de impostos; exploração do ser humano; pobreza, desemprego; fome; violência urbana e rural; alcoolismo e dependência de outras drogas; falta de atenção à saúde, falta de moradias”. Enquanto isso, a palestrante meneava a cabeça. E a galera prosseguia: “Abandono e negligência das crianças; ignorância; falta de educação pública e de qualidade; racismos; guerras; falta de terra para pobres”. A palestrante saracoteava a cabeça. E a plateia, já nervosa: “Falta de energia; falta de água e esgotos; agressão ao meio ambiente; aumento populacional; doenças; terrorismos; democracia restrita; falta de solidariedade e colaboração”. Raquel Zorzi respondeu: “O maior problema do mundo é a falta de empatia. A solidariedade é uma espécie de parecença, é fazer para o outro o que eu gostaria que fizesse para mim. Empatia não é isso. É fazer para o outro o que ele necessita e ou deseja, independentemente de mim”. Mãe, a senhora, sempre aplicou a empatia, fazendo aos outros o que eles gostariam que você fizesse para eles, nem sempre o que você gostaria que fizessem para você, ainda que não conhecesse sequer a expressão empatia. Você acolhia a todos os desamparados incondicionalmente. Lembrei-me do seu Temístocles, o velho bêbado e desamparado, pedreiro das obras nunca concluídas. Você deu para ele o nosso único fogão, ficamos mais de um ano cozinhando num Jacarezinho, uma espécie de fogareiro a querosene. Deu-lhe também a minha bela cama, presente que ganhei do meu pai. Senti profundamente a perda da cama, mas, quando você disse que o seu Temístocles, já tão velho, dormia sobre uma folha de jornal, me conformei. Nunca esqueci as suas palavras: ´Minha filha, você terá muitos fogões e camas pela vida afora; seu Temístocles, não. Está velho, doente e sem esperança. Precisamos dar-lhe um pouco de conforto”. Você tinha razão. E do seu Temístocles esquecemos a sua bebedeira e guardamos o aprendizado da empatia, no seu significado pleno. *Canção do compositor baiano Gerônimo Santana “É d’Oxum” **Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em educação. Foi deputada de 1991 a 1999. Presidente da Casa da Educação Anísio Teixeira. Psicanalista e dirigente da ABEPP. Membro da Organização Internacional Clube Soroptimista Internacional Brasília Sudoeste. ***Publicado originalmente no site: Planalto em Pauta
A Psicanálise dos Contos de Fadas

psicanalista analisou a arqueologia e a ilustração dos contos, oferecendo-nos elementos para analisar o desenvolvimento psíquico de uma criança até a adolescência
Professor Ideval Alves, uma liderança da paz e do bem

Maria José Rocha Lima Na APLB, a divisão do trabalho na direção aconteceu bem de acordo com os perfis dos diretores. O professor Ideval Alves, com muita sensibilidade, tratou da Secretaria de Cultura. Promovia exposições de artes e, nas greves, articulava muitas atividades culturais. Conversando recentemente com a professora Marinalva Nunes ela me lembrou que, na década de 80, nós já ocupávamos escolas com atividades culturais e de lazer, em substituição às aulas, e realizávamos aulas públicas. As passeatas, da Piedade ao Campo Grande, em Salvador, eram muito participativas e ricas em alegorias. A nossa criatividade no movimento não conhecia limites. Foi desse tempo a realização de manifestação sob as árvores da Secretaria da Educação, cheia de atividades culturais, com a participação de reconhecidos artistas plásticos baianos, como o querido Deraldo Lima, da Galeria 13 e criador da Galeria dos Novos, uma figura ímpar tanto nas artes quanto na coragem para enfrentar os governantes; e do ator e diretor teatral Carlos Petrovich. O querido Petrovich, ou apenas Petrô, como era chamado, foi ator-fundador do Teatro Vila Velha e professor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Nunca esqueci que Carlos Petrovich fez um enorme dragão colorido, semelhante àqueles dragões chineses, no qual entravam os alunos da escola pública e da UBES que participavam do movimento. Ao cuspir os alunos, o dragão discursava raivosamente palavras de fogo! Também foi espetacular a atividade cultural de greve, na qual os professores baianos foram ao teatro. Naquele tempo, estava no auge a peça Oficina Condensada, na qual a grande atriz do teatro baiano Rita Assemany interpretava a professora universitária Ivone Brandão, uma professora, uma intelectual e muito louca. Era uma peça sobre as aventuras e desventuras da professora Ivone Brandão, personagem representada pela famosa atriz. Inesquecível. Aliás, cheguei atrasada por conta de uma viagem de sustentação da greve no interior e me lembro como se fosse hoje da Professora Ivone Brandão, procurando: – Cadê Zezé, cadê Zezé, a nossa líder? A professora, durante a aula, passava uma sacolinha cheia de quinquilharias chinesas e outras bugigangas. Ela, com muito humor, denunciava a miséria das professoras sendo sacoleiras, para complementar os salários: – Gente, hoje em dia, um professor universitário para sobreviver leva de um lado uma sacola de material didático, cheio de informação, e do outro uma sacolinha cheia de…… Cheia de …. – E pedia para que a classe completasse. Irritada porque os seus alunos da plateia não respondiam, ela gritava cada vez mais alto: – Cheia de quê? Cada vez mais nervosa com a lentidão dos alunos para responder, ela gritava: – Gente, cadê o pessoal da educação? E aí os alunos, encorajados, respondiam: – Leva muamba, professora muamba. – Leva chinesice.Ela apurou o ouvido: o que que ela leva mesmo? – Leva roupa para vender A noite daquela ida ao teatro marcou para sempre os professores baianos, que lotaram o Teatro Vila Velha. Rita Assemany doou o espetáculo para os professores tão carentes de atividades culturais, especialmente naquele nível. Obrigada, Rita Assemany, Petrovich e Deraldo Lima! Publicado originalmente no site: https://planaltoempauta.com.br/professor-ideval-alves-uma-lideranca-da-paz-e-do-bem/
Jô e Roberto, dois fenômenos que só Freud explica

Roberto afirmou que “quem tem TOC é um sofredor, mas eu já melhorei bastante”
Nascido a 13 de maio

O velho era orgulhoso das filhas
Professor João Pereira Leite, um mestre invulnerável

Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em educação. Foi presidente da APLB. Deputada de 1990 a 1999. Presidente da Casa da Educação Anísio Teixeira. Psicanalista da ABEPP. Membro do Clube Internacional das Soroptimistas Sudoeste Brasília
Maria Augusta Moreno, minha inesquecível professora do curso ginasial

*Maria José Rocha Lima A professora Maria Augusta Moreno era austera, temida por todos os que não gostavam das coisas exatas. Eu sentia nela uma enorme amorosidade naquele esforço para que aprendêssemos. Muitos anos depois de estudar com Maria Augusta, soube, para meu orgulho, que ela era professora da UFBa e se articulava internacionalmente com estudiosos da Matemática. Eu adorava minha professora de Matemática, a única que conseguiu de mim furar uma greve, em 1968. Na hora certa da aula de Matemática todos deveriam estar sentados em sua carteira com as cadernetas de testes em punho. Ela, posteriormente, me disse que isso era uma experiência matemática, aplicar os testes diariamente. Fui cobaia. Os testes eram diários, assim aprendíamos fazendo, resolvendo equações, funções. As nossas inteligências eram verdadeiramente desafiadas. As arrogâncias debeladas. Com Maria Augusta ser bom em matemática custava esforço, dedicação e muito raciocínio. Havia um caderno para os exercícios de trigonometria. Lembro-me que durante o Festival da Canção, quando Caetano cantou “Alegria, Alegria”, eu fiquei paralisada e não consegui concluir meu caderno de trigonometria para apresentar à professora Maria Augusta. No encontro com o compositor, na década de 90, eu registrei: Caetano, você fez com que eu não concluísse o meu caderno de trigonometria para apresentar à professora Maria Augusta. Ele riu e disse: Felizmente você o retomou. Felizmente te digo eu, porque a partir dos ensinamentos da professora Maria Augusta tenho conseguido entender funções fundamentais à vida e se tivesse caprichado ainda mais teria errado menos, principalmente sobre correlação de forças na política e na vida. Muito obrigada, professora Maria Augusta. Homenagem prestada pela deputada Maria José Rocha Lima na Sessão Solene intitulada Obrigado, professor; Obrigada, professora, na Assembleia Legislativa da Bahia, em 11/11/ 1998. Publicado originalmente no site: Planalto em Pauta
Obrigada, Professora Nilda Moreira!

Maria José Rocha Lima* Neste mês de celebração do Dia Internacional da Mulher, pensamos em homenagear mulheres que tiveram importância na luta ou lideraram a luta classista dos professores baianos por valorização e em defesa da educação.Iniciaremos homenageando a professora, pedagoga e Mestre em Educação Nilda Moreira Santos, pela sua relevante contribuição acadêmica sobre a história do Movimento dos Professores da Rede Pública na Bahia. Pelo pioneirismo, por tê-la escrito com uma simplicidade clássica, sem pedantismos, colocando a história do movimento ao alcance de todos, transmitindo princípios doutrinários e deixando-nos grandes lições. Com a professora Nilda, aprendemos definitivamente que o movimento de professores não começou com a militância da década de 80, comigo e com a professora Marinalva Nunes e outras que homenagearemos, daqui em diante, mas teve o antes, houve aqueles que vieram antes de nós. O estudo nos trouxe a compreensão de que devíamos cultivar a história não para suscitar admirações, mas para responder ao enigma do desprezo nutrido pelos governantes em relação aos professores e pela educação na Bahia. O estudo do Movimento dos Professores da Rede Estadual de Ensino da Bahia (1952-1089), ao fazer a reconstituição histórica das experiências vividas pela categoria, nos permitiu identificar as reivindicações em cada momento da história e as características das mobilizações do magistério. Num primeiro momento (1952), prevalece a luta restrita aos licenciados; o marco de 78 muda as relações políticas, econômicas e sociais, ao passo que o de 89 é uma consolidação dos direitos conquistados da categoria dos trabalhadores em educação. A partir dos dados apresentados pela autora, pudemos concluir que em cada um desses momentos os governantes souberam jogar uns segmentos do magistério contra os outros. Os professores baianos, na década de 50, tinham diferentes formações profissionais e diferentes salários para executar as mesmas atividades – ensino de diferentes níveis. O magistério público era constituído de professores primários formados em escolas normais; catedráticos professores com formação em outras áreas do conhecimento, que obtinham uma cátedra por concurso público de provas e títulos e defesa de tese; assistentes e adjuntos de catedráticos já atuavam no ensino e supriam vacância dos cargos; instrutores professores licenciados por curso de Filosofia, que por indicação do diretor entravam no quadro como extranumerários mensalistas para a regência de aulas suplementares. Para tanto submetiam – se a prova escrita ou prática, mas não tinham direito à efetividade. Assim, vemos que nas décadas de 50 e 60, as contradições eram professores licenciados nas Faculdades de Filosofia e os não – licenciados. A luta era por tratamento igual para funções iguais. Na década de 70 é promovidauma discriminação entre efetivos e contratados. Na greve de 1978, os professores propugnavam por aumento salarial e concurso público, evitando as contratações via diretores de escolas. O governo dividia a categoria entre efetivos, contratados, auxiliares de ensino e serviços prestados. Na década de 80, os professores enfrentam problemas de distribuição de aulas suplementares, politicamente distribuídas, enquanto o estatuto previa jornadas de 20 e 40 horas. A história do movimento dos professores baianos de 1952 a 1989 é um verdadeiro apelo pela reconciliação das gerações, que vêm se sucedendo na luta, que se irritavam entre elas; que até se ofendiam, para o gozo dos governantes que embaralhavam os planos de carreira, como estratégia política de divisão para reinar ou confusão para nada explicar. São governantes que não acreditam na educação do povo ou que temem um povo educado, por isso sabotam a educação, como concluí na tese de doutorado. A professora Nilda nos ajuda a praticar o que nos ensinava o imperador romano Marco Aurélio: a solicitude atenta para com os amigos; a tolerância para com os ignorantes e para com os que opinam sem maduro exame. Obrigada, Nilda Moreira! *Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em educação. Foi deputada de 1991 a 1999. Presidente da Casa da Educação. Psicanalista da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Psicanálise-ABEPP. Filiada ao Clube Internacional das Soroptimistas Sudoeste Brasília.