Mais de 8 mil candidatos concorrem a uma vaga na Câmara dos Deputados

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 8.067 candidaturas para a Câmara dos Deputados. Desse total, apenas 31,6% são mulheres e 41% se declaram como pretos ou pardos. Além disso, o TSE registra 38 indígenas candidatos a deputado federal. Para o professor da Universidade de Brasília, especializado em Direito Eleitoral, Erick Pereira, os avanços nas candidaturas ainda são tímidos para tentar superar a atual sub-representação da população brasileira na Câmara. “Muitas vezes as dificuldades – sejam geográficas ou sociais propriamente ditas – fazem com que se tenha uma lentidão no incentivo à inclusão, mesmo com a modificação que temos hoje no financiamento público que incentivou muitas candidaturas”, avalia Pereira. Candidatos à PresidênciaAo todo, 27.249 candidatos vão disputar as vagas para oito cargos eletivos em 2018. Serão 13 candidatos a presidente da República, dos quais dois são deputados federais atualmente: Cabo Daciolo (Patri-RJ) e Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Completam a lista: Álvaro Dias, do Podemos; Ciro Gomes, do PDT; Geraldo Alckmin, do PSDB; Guilherme Boulos, do Psol; Henrique Meirelles, do MDB; João Amoedo, do Novo; João Goulart Filho, do PPL; José Maria Eymael, da Democracia Cristã; Marina Silva, da Rede; Vera Salgado, do PSTU. O PT registrou Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente e Fernando Haddad como vice, mas o Movimento Brasil Livre e a Procuradoria Geral da República já apresentaram os primeiros questionamentos ao TSE com o argumento de que Lula, atualmente preso e condenado em segunda instância, não pode ser candidato. ImpugnaçõesEventuais impugnações de candidatura serão analisadas pelo TSE até 17 de setembro. “A Justiça Eleitoral vai fazer a análise de um a um para verificar se os candidatos preenchem as chamadas condições de elegibilidade e se nenhum desses candidatos incide em alguma inelegibilidade, aquilo que tornaria o candidato ficha limpa ou ficha suja”, explica o secretário judiciário do TSE, Fernando Alencastro. Em 2014, do total de 26.162 candidaturas inicialmente registradas, 4.184 foram consideradas inaptas por motivos diversos, como indeferimento da candidatura, renúncia e até por falecimento, como foi o caso do então candidato do PSB à presidência da República, Eduardo Campos. O TSE registra ainda 197 candidatos aos governos estaduais, 339 ao Senado, 16.827 às assembleias legislativas e 954 à Câmara Distrital.Reportagem – José Carlos OliveiraEdição – Natalia Doederlein Texto publicado originalmente pela Agência Câmara
Literatura e idioma: “em alemão, as relações são mais claras”

Com seu romance de estreia, “Die grüne Grenze” (A fronteira verde), Isabel Fargo Cole foi indicada em 2018 para o Prêmio da Feira do Livro de Leipzig. A escritora norte-americana, cujo romance foi escrito em alemão, fala sobre o que significa escrever em uma língua estrangeira. Um jovem casal que se muda no ano de 1973 para a região alemã do Harz, ou seja, para a zona proibida da Alemanha Oriental. E o filho deles que cresce em um mundo no qual muita coisa não pode ser dita. Isso está Die grüne Grenze (A fronteira verde), romance de estreia de Isabel Fargo Cole, que entrou em 2018 para a lista de concorrentes ao Prêmio da Feira do Livro de Leipzig. Nascida em 1973 em Nova York, a escritora norte-americana escreveu seu livro em alemão e sobre a Alemanha. Leia aqui uma conversa com ela sobre o desafio que é escrever em outra língua que não a materna. Seu romance recém-publicado sobre os últimos dias da Alemanha Oriental recebeu muitos elogios, tendo a intensidade da linguagem recebido expressamente o maior destaque na maioria das vezes. Você escreve em alemão, mas sua língua materna é o inglês. Isso é relativamente pouco usual. Não é assim tão pouco comum. Há cada vez mais escritores que têm o alemão como segunda língua e que escrevem nesta língua. A Alemanha é, hoje, um país de imigrantes. E quando você passa metade da sua vida ou até mais do que isso em um determinado ambiente, é relativamente normal que se sinta em casa nesta língua e a utilize para se expressar. Você vive desde 1995 na Alemanha, tendo originalmente se mudado para Berlim para estudar Literatura Alemã Moderna e Russo… … mas uma coisa da qual eu realmente me ocupei naquela época foi descobrir Berlim Oriental. Eu suguei todas essas histórias do meu círculo de amigos alemães orientais, além de ter me debruçado muito intensamente sobre a cultura. Assim descobri muitos autores alemães orientais e comecei a traduzir suas obras. Isabel Fargo Cole | Foto: © picture alliance/Sebastian Willnow/dpa-Zentralbild/dpa Da tradução para o inglês até escrever suas próprias obras em alemão: como isso evoluiu? Preciso dizer que escrevo desde a infância. Como adolescente em Nova York, fiz parte da fantasyscene e publiquei também alguns contos. Em Berlim, continuei durante muitos anos escrevendo em inglês, mas era difícil, porque ficava consideravelmente isolada de qualquer cena literária. Eu tinha a sensação de trabalhar em um vácuo. Então comecei a me interessar por temas ligados à Alemanha Oriental e à reunificação do país, ou seja, por aquilo que acontecia à minha volta. Eram coisas com relação às quais eu tinha a sensação de que escrever em inglês era como traduzir e que eu precisava explicar muito para um público de língua inglesa. Era mais fácil escrever em alemão. A expressão literária é o uso máximo da língua. Não se tem, em uma língua que não é a materna, muito menos recursos de expressão à disposição? É verdade que os recursos são mais limitados. Mas, de alguma forma, isso até me ajudou na hora de escrever, como por exemplo o fato de não ter tantos vocabulos à disposição. Sobretudo no início isso foi realmente positivo para a minha escrita. O inglês tem um vocabulário absurdamente rico, bem maior que o alemão. Com tantos sinônimos, é muito fácil se desviar para palavras belas e pouco comuns. Quando adolescente, sempre trabalhei com dicionários de sinônimos. Mudar para o alemão me ajudou, nesse sentido, a me aproximar mais da substância e escrever de maneira menos decorativa. Traduzir do alemão gerou frutos para a sua escrita na língua? Sim. Ao traduzir, você tem que estar realmente atento aos recursos idiomáticos dos quais o alemão dispõe. E constata com frequência que muita coisa não pode ser dita da mesma forma em inglês, como por exemplo o discurso indireto ou determinadas estruturas e formações de palavras. Já o fato de o alemão ser uma língua com declinações faz com que você capte as coisas de maneira diferente. É sempre possível distinguir entre objeto e sujeito, as terminações dos adjetivos são claras, de forma que você sempre vai saber quem faz o que com quem. As relações são mais claras. Você diz que algumas estruturas do alemão só podem ser dificilmente transpostas para o inglês. Você poderia dar exemplos disso? Em alemão, a sintaxe é mais flexível, por isso é possível dar destaque através da sintaxe. Há autores de língua alemã que escrevem frases muito sóbrias, muito minimalistas, que trabalham com diferenças sintáticas muito delicadas. O primeiro autor que traduzi era assim: Hermann Ungar, um escritor judeu morávio, contemporâneo de Kafka. Sua língua é muito reduzida, muito clara, e ao mesmo tempo cheia de ênfases, de maneira muito sutil, de forma que o texto nunca soa monótono. Traduzir isso para o inglês é a coisa mais difícil que existe, porque as frases em inglês precisam seguir sempre mais ou menos a mesma ordem. Aí tudo soa rapidamente muito duro. Foi só através de Ungar que adquiri consciência a respeito desses recursos. Em algum momento, tive vontade de usar isso para minha própria escrita. De fato, escrevi meu primeiro texto em alemão quando traduzia Ungar. Muitas escritoras e escritores que escrevem em uma segunda língua fazem de sua origem linguística uma ferramenta estilística. E você? Talvez eu me expresse às vezes de maneira pouco usual. Gosto também de brincar com a sintaxe, mas prefiro que não soe expressamente como inglês. Ninguém quer ser colocado em uma gaveta, e a gaveta dos anglicismos no alemão já está bem cheia. É claro que é possível brincar com isso, há inclusive uma bela e divertida tradição de misturar alemão com inglês, mas prefiro, na verdade, ir em outra direção. Publicado originalmente: Goethe Institut Brasilien
Quinze anos depois, Lei 10.639 ainda esbarra em desconhecimento e resistência

Casos de professores perseguidos ao trabalhar a história e cultura afro-brasileira revelam a fragilidade das redes em sistematizar as práticas A professora de Geografia da rede municipal de Macaé, município do Rio de Janeiro, Sabrina Luz, foi denunciada pelo pai de um estudante por exibir um filme sobre a cultura negra em sala de aula No vídeo que a docente veiculou em suas redes sociais, ela explica o porquê da escolha do filme Besouro, que conta a história do capoeirista baiano Manuel Henrique Pereira, conhecido como ‘Besouro Mangangá’, na década de 20. “O filme mostra a resistência negra [embora a abolição da escravatura tivesse ocorrido décadas antes, os negros continuavam a ser tratados como escravos], a capoeira, a umbanda e o candomblé como parte dessa resistência”, coloca. Ainda que o teor da denúncia não tenha sido divulgado, a professora acredita que ela tenha sido motivada por intolerância religiosa, ao que complementa. “A escola pública é laica, todos os alunos de todas as religiões cabem dentro dela”. A professora também comenta que 70% dos alunos que seguem as religiões de matriz africana evadem das escolas por preconceito. “O racismo é crime e nós professores temos que ensinar no cotidiano como foi a escravidão, mostrar a resistência do povo negro e a sua história”. Em nota, a Prefeitura de Macaé informou que não abrirá processo contra a professora. A decisão é pautada pela lei. A prática de Sabrina Luz se ancora na legislação 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos das redes de ensino e na lei 10.645 que trata da obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Sabrina, no entanto, não é a única a esbarrar em dificuldades para cumprir o a lei. Em março deste ano veio à tona um caso envolvendo o Sesi Volta Redonda (RJ), que chegou a repensar a indicação exclusiva da obra Omo-Oba: Histórias de Princesas, da autora Kiusam de Oliveira, diante o questionamento de alguns pais em relação ao conteúdo. À época, a instituição chegou a falar sobre a adoção de uma outra obra alternativa, mas voltou atrás assumindo o “equívoco” e eliminando a possibilidade da indicação de um novo livro. A mãe de um aluno, Juliana Pereira de Carvalho, viralizou seu post com mais de 6 mil compartilhamentos: “acredito ser de fundamental importância que a equipe pedagógica esclareça esses pais. Não falo apenas pelos meus filhos negros, mas para além da necessidade imediata da visibilidade afro-descendente, precisamos formar pessoas que se sensibilizem e busquem uma sociedade mais justa”, defendeu. Raio-X da intolerância No Rio de Janeiro, os casos de intolerância religiosa trilham uma curva ascendente, como mostram os registros da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI). Os dados apontam um aumento de 56% nos casos em comparação com o primeiro trimestre de 2017 e com o mesmo período deste ano: entre janeiro e abril do ano passado foram 16 denúncias; este ano, no mesmo intervalo de tempo, 25. Somando as denúncias de 2017 até abril deste ano há 112 casos registrados. O Rio de Janeiro concentra os maiores índices deste tipo de crime, 55%, seguido por Nova Iguaçu, 12,5% e Duque de Caxias, 5,3%. O tipo de violência mais praticada é a discriminação com 32%, depredação de lugares ou imagens 20% e difamação 10,8%. As religiões como Candomblé, Umbanda e outras de matrizes africanas lideram o índice de denúncias: candomblé, 30%, umbanda, 22% e as demais, 15%. Sensibilização e formação Embora reconheçam avanços desde o início da Lei 10.639, inclusive no sentido de pautar outros dispositivos sobre a cultura afro-brasileira, especialistas na temática reconhecem barreiras que ainda precisam ser superadas para sua total efetivação. O sociólogo e professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Leonardo Borges da Cruz, fala em falta de sistematização. “Nas escolas municipais, estaduais e particulares, o cumprimento da Lei ainda fica muito a cargo de um sujeito ou outro que resolve comprar a causa. Muitas vezes o professor se sensibiliza pelo tema ou por ser negro ou por ter tido contato com o tema em algum momento”, avalia o profissional que também é colaborador do projeto educacional ENEMEX. Ainda assim, nem sempre as práticas em sala de aula são corroboradas pela gestão escolar, como observa a pesquisadora Paola Prandini, co-fundadora da Afroeducação, instituição que pensa estratégias para a equidade racial brasileira. “Ainda são vários os casos de gestores, diretores e coordenadores não preparados que, dentro de uma lógica de racismo institucional, invalidam ou bloqueiam as possibilidades dos docentes”, conta. Leia Também: História negra, escola branca A representação do negro no material didático Prandini também cita como ponto nevrálgico da questão as famílias. “Temos um número muito grande de evangélicos neopentecostais que infelizmente entendem que trabalhar a cultura negra é trabalhar somente as religiões de matriz africana, não entendem a religião enquanto componente cultural”, acrescenta. Por essa razão, os especialistas entendem ser fundamentais estratégias de sensibilização e formação efetivas. Em São Paulo, a rede municipal de ensino aposta na educomunicação. “A ideia é superar a visão tradicional sobre a lei, de uma educação formal ultrapassada. O nosso trabalho é a partir das mídias, com possibilidades de trabalhar o cinema, o rádio, o jornal. Isso tem colaborado para que os professores se sintam mais seguros para a aplicação da lei”, comenta Paola Prandini, que atua como consultora da rede. No Estado do Rio de Janeiro, a SEDHMI firmou um termo de cooperação técnica com secretaria de educação para inclusão do tema no currículo estadual, com apoio de uma cartilha e um curso a distância para os profissionais das escolas. “É importante para que professores, coordenadores, diretores e familiares entendam o propósito da Lei”, afirma o membro da SEDHMI e presidente do Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa, Marcio D’Jagun. Outras narrativas O trabalho com a cultura e história afro-brasileira traz para as escolas a possibilidade de construir narrativas contra-hegemônicas. “É uma possibilidade para que a população negra, maioria em nosso País, tenha sua autoestima valorizada, sua representatividade legitimada e para que possamos trazer outros lugares de fala que não seja o do homem, branco, heterossexual, rico, cisgênero,
Educação deve ser arma contra o racismo

Uma educação de qualidade ensina a ética e o respeito às diferenças, busca a construção de uma sociedade sem preconceitos e sem violência No início do mês [junho/18], integrante da torcida da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) jogou casca de banana na direção de um atleta negro da Universidade Católica de Petrópolis e, juntamente com seus colegas, entoou cânticos preconceituosos durante os Jogos Jurídicos Estaduais 2018. No dia 6 de junho, a escola municipal Áurea Pires da Gama, do quilombo de Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis, foi depredada. Segundo a coordenadora da Associação de Remanescentes do Quilombo local, Marilda Souza, os ataques começaram em 2015, quando a escola se autodeclarou quilombola. No dia 6, os banheiros foram pichados com tinta vermelha e nas paredes foi escrito “vão morre” (sic). Duas semanas antes, a escola, que conta com 822 estudantes do segundo ciclo, já tinha sido invadida. Em 2017, algumas salas foram incendiadas e houve tentativa de colocar fogo também na biblioteca. Desigualdade flagrante O Atlas da Violência, organizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que a desigualdade racial no Brasil “se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal”. No período de uma década, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%, ao passo que o índice entre os não negros teve uma redução de 6,8%. Leia Também: O Brasil embranquecido na tela da TV O caso Peppa: racismo ou censura? O levantamento demonstra que 71,5% das pessoas assassinadas em 2016 eram negras. Em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no país, uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. O aumento nos últimos 10 anos foi de 6,4%. A taxa de homicídios de mulheres negras foi 71% superior à de mulheres não negras. Levantamento da Agência Brasil mostrou que entre os formandos de 2000, 2,2% eram negros e pardos e 9,3% brancos. Já em 2017, o índice de negros formandos subiu para 9,3%, quase quatro vezes, o de brancos para 22,9%, pouco mais que o dobro. Em 2015, eram 12,8% de negras e negros espalhados pelas 2.407 instituições de educação superior no país, mais de 87,7% nas universidades particulares e 12,3% públicas. O Censo do Ensino Superior de 2016 revelou que as matrículas na graduação em 2008 tiveram 11% de negros e pardos; em 2016 esse índice subiu para 30%. Essa ascensão incomoda os privilegiados rascistas. Contra a reação, ação Indignado com o comportamento discriminatório durante os jogos, o coletivo Nuvem Negra, da PUC Rio, afixou cartazes no Centro Acadêmico de Direito da instituição com as mensagens “O seu racismo não vai passar em branco”, “Racistas não passarão” e “Jogos sem racismo”. Os cartazes foram imediatamente arrancados. Eis os trechos de algumas letras cantadas pelos futuros advogados, juízes, delegados e promotores nos jogos em Petrópolis: “E já tem cota UFRJ Cota pros pobrim … Quer ajuda pro trem, eu integro Um trocado pro lanche eu dou … No fim do mês a grana vai falta Vai no lixão lá da central catar lata” “Ela é cotista e sempre quer que eu banque Mas eu só vou pagar se gozar … É favelada, vou ajudar um pouquinho Toma um trocadinho, vai Toma um trocadinho E faz um lanche ali no bandejão Pão com mortadela, de repente um requeijão De laranjeiras, foi pra Madureira Hj ela se esconde lá no morro do dende Foi lavadeira, já foi faxineira Hj a cotista ganha vida com…” A Constituição Federal (que esses alunos de Direito tem por dever estudar e aplicar) determina, em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. O artigo 140 do Código Penal brasileiro prevê o crime de injúria racial, definido como o ato de ofender a dignidade de alguém, seja verbalmente, com gestos ou por escrito, com a utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. A pena prevista é de um a três anos de prisão. Já o artigo 20 da Lei nº 7.716, de 5 de Janeiro de 1989, prevê prisão de até três anos para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Uma educação contrária ao racismo, ao sexismo e ao homofobismo é uma das bandeiras da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), que ressalta o seu papel como instrumento de construção da cidadania. Por isso, é fundamental a defesa e a prática de um ensino que reafirme o combate a todo tipo de preconceito e discriminação com a relação à cor da pele, ao gênero e à orientação sexual, fortalecendo os direitos constitucionais. Uma educação de qualidade ensina a ética e o respeito às diferenças, busca a construção de uma sociedade sem preconceitos e sem violência. José de Ribamar Virgolino Barroso, coordenador da Secretaria de Finanças da Contee Publicado originalmente em Carta Educação
Série Merlí, da Netflix, mostra como conectar ensino médio à vida do jovem

Em artigo, ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro discute como a série pode inspirar mudanças para tornar o ensino médio mais criativo Por: Renato Janine Ribeiro para Porvir* A série catalã Merlí, que trata de um professor de filosofia no ensino médio, é uma notícia muito boa para quem se interessa em discutir como pode ser criativo, envolvente e empolgante um curso no ensino médio. Ela se aplica à matéria de filosofia, mas poderia eventualmente ser pensada para outras, sobretudo na área de humanas. LEIA MAIS Ensino Médio: Base vai ter Português, Matemática e… O ponto básico é que Merlí está procurando ligar a filosofia e a vida. Não é por acaso que ele aparece, mais ou menos, no início da série levando um retrato de Nietzsche para o seu gabinete na escola. Nietzsche foi um filósofo que se interessou muito pela relação entre a filosofia e a vida. Nesse sentido, é muito diferente inspirar-se em Nietzsche e, por exemplo, dar um curso de filosofia sobre a história do conhecimento filosófico, mas de forma desconectada da vida dos jovens. A relação entre a filosofia e a vida é um ponto constante em todos os capítulos. Mesmo autores que não são tão conhecidos pelas suas reflexões sobre a vida, como Kant ou, mais remotamente, Aristóteles, são chamados a participar dessa utilidade que tem para os jovens e para a vida deles. E eu falei utilidade. Trata-se de mostrar conhecimento. É útil, mas nunca utilitário. O bom conhecimento não é utilitário. Ele não é um conhecimento que se limita a um manual de instruções de como subir na vida, ganhar mais salário, etc. Há um episódio no qual uma outra professora vai falar do ensino universitário e das graduações que os alunos podem fazer. É quase como uma venda de mercadorias, tanto que Merlí pergunta se ela também vai oferecer ovos cozidos. É um cardápio que ela está apresentando, denuncia ele. O que ele está interessado é em outra coisa: ver como todas as questões que aparecem na vida das pessoas, e são particularmente agudas neste período de transição da infância para a idade adulta, da idade de dependente para a idade de responsável, da subordinada para a idade adulta, podem encontrar respostas na filosofia. Não se trata, porém, de autoajuda. Ele não está procurando dizer que as pessoas façam isso ou façam aquilo. E quais são os tipos de conflitos que aparecem? Conflito com o pai, com a namorada, com uma professora que é trans e é discriminada, mas passa a ser respeitada a partir do que Merlí faz com ela. Um menino que sofreu bullying e não volta mais a escola, e Merlí se responsabiliza e se encarrega de trazê-lo de volta. A vida sexual dos jovens, a vida sexual do próprio professor Merlí. Um ponto interessante é que o professor é extremamente iconoclasta, o que quer dizer que ele é destruidor de imagens consagradas e idolatradas. Nessa destruição de ícones, Merlí evidentemente passa às vezes do limite. Ele questiona as regras, tanto as injustas quanto as justas. O interessante é que ele não está fazendo uma pregação de desobediência. Ele está mostrando que a filosofia é um espaço de questionamento. Muita coisa, que pode ser até mesmo correta, deve se passar primeiro pelo crivo do questionamento. Esse é um ponto que talvez seja tão importante, porque à medida que se aproxima o final da história, há um questionamento ao próprio Merlí. O próprio professor, embora tenha um papel fabuloso, é questionado. É curioso o confronto entre ele e uma nova professora que é dinâmica, cativante e fascinante. Mas todo esse caráter cativante e fascinante é apenas um método pedagógico, não é algo que vem de dentro. Em Merlí, os questionamentos e as medidas alternativas vêm de dentro. Por exemplo, se ele coloca alguma coisa própria, você nota que ele está questionando mesmo. A jovem professora tenta dinamizar o curso colocando slides e dizendo qual é a resposta certa. São respostas apenas factuais. O alunado vibra, salta, mas é apenas um quiz. Não tem nenhum efeito na mudança das pessoas. Eu penso que quem trabalha com jovens, com filosofia e com ensino médio em geral deveria acompanhar essa série. Deveria pensar o que nós podemos mudar nesta etapa para que ela fique mais perto da vida dos jovens. Hoje, o problema grande do ensino médio é esse: ele está muito afastado da vida. Na verdade, esse é o grande problema da educação. Quando eu fui ministro da educação, no ano de 2015, minha preocupação básica era a seguinte: por que até entrarem na escola fundamental, até uns 6 ou 7 anos, as crianças gostam tanto do que aprendem? Elas chegam em casa da escola ou da creche contando para os pais o que aprenderam e depois perdem esse gosto. À medida que vão estudando, elas começam entender a escola como um lugar aborrecido. Eu tenho certeza que os alunos de Merlí jamais acharam a escola deles aborrecida. Esse é o ponto crucial, talvez, para a gente pensar educação hoje. * Artigo publicado originalmente no site do Porvir
I Fórum Baiano do Profissional de Educação Física

O I Fórum Baiano do Profissional de Educação Física é uma importante iniciativa da ACEB, juntamente com a ASEPT – Associação de Personal Trainer da Bahia e o SINPEF BA – Sindicato dos Profissionais de Educação Física do Estado da Bahia, com a apoio da SETRE – Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda e do CREFI-Ba/Se – Conselho Regional de Educação Física 13ª Região. A importante atividade vai se realizar na Unifacs – Campus Paralela. O objetivo é promover palestras e rodas de conversa, proporcionando aos profissionais e estudantes o acesso a informações e a oportunidade de aprofundamento em temas de interesse da categoria. A inscrição para o Fórum será através da doação de um quilo de alimento não perecível e será limitada para 135 pessoas, capacidade do auditório [corrigindo, pois anteriormente havia sido divulgado 300]. Faça sua Inscrição. PROGRAMAÇÃO CREF-BA Panorama atual da profissão – Prof. Paulo Vieira A importância e o papel do Sinpef-Ba para o Profissional de Educação Física – Prof. Jehorvan Melo Implicações da PL N° 9539/18 para o Profissional de Educação Física – Dep. Fed. Alice Portugal Políticas públicas voltados para o Profissional de Educação Física – Secretário Vicente Neto (SETRE) A importância da ACEB no cenário da formação e desenvolvimento do Profissional de Educação Física – Profª Marinalva Nunes Presidente da ACEB e Prof. Alessandro Felizola Debate com os possíveis candidatos ao CREF Faça sua Inscrição (ENCERRADA).
Modelo educacional brasileiro exclui os mais pobres, aponta debate.

O Brasil é campeão mundial em reprovação e evasão escolar, num modelo educacional marcado ao mesmo tempo por subfinanciamento e desperdício de recursos, além de desmotivação de boa parte dos estudantes e professores. Esse é o quadro atual da educação básica no país, segundo especialistas que participaram nesta quarta-feira (25) de audiência pública na Comissão de Educação (CE) do Senado. O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, aponta que os milhões de estudantes que todos os anos são reprovados ou abandonam a escola traduzem um modelo voltado para a exclusão social dos mais pobres. Daniel Cara adverte que a grande maioria dos alunos que desistem ou reprovam provém das periferias e são negros, o mesmo segmento mais vitimado pela repressão policial, pois ainda predomina no país a ideia de que os direitos e a cidadania não são para todos. — Nosso modelo na prática nega a promoção da cidadania para amplos segmentos sociais. É esse tipo de concepção que está por trás da militarização das escolas, conduzida por alguns governos estaduais. A militarização só ocorre nas periferias das grandes cidades, pois entende-se que esses jovens têm que ser domados, mais do que educados, ou que tenham uma concepção de cidadania — afirmou. O representante do Ministério da Educação, Raph Alves, confirmou que pesquisas conduzidas pela pasta corroboram que a cultura da reprovação predominante no modelo brasileiro é uma das principais causas de desmotivação, insucesso e abandono escolar. Além de ser um modelo estruturado para a exclusão social, também predomina o subfinanciamento, na opinião dos debatedores. Mais dinheiro No desafio de aumentar as verbas para a educação, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) lembrou que é a relatora da PEC que torna o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) uma política permanente (PEC 24/2017). Ela confirmou que trabalha num desenho institucional que aumente a participação da União no financiamento desse sistema, que hoje fica em torno de 10%. Para a senadora, o Fundeb é um caminho para que o setor drible os “efeitos perversos” do teto de gastos na área social (Emenda Constitucional 95), mas que o ideal é que o próximo governo revogue o teto. Além de mais verbas, a área também precisa rediscutir “com urgência e sem hipocrisia” como esses recursos são investidos, na opinião do educador João Batista Araujo, do Instituto Alfa e Beto. Entre as prioridades, ele aponta que o poder público em todos os níveis precisa estar mais atento à formação e aprimoramento dos professores, pois as pesquisas indicam que esse é hoje um grande gargalo. O especialista também defende que especialmente no ensino médio os conteúdos devem estar mais voltados à formação profissional. Os trabalhos foram conduzidos pelo senador Telmário Mota (PTB-RR), que concordou com o diagnóstico de que a educação básica no país passa por um quadro de profunda crise estrutural. — São 3 milhões de alunos reprovados todos os anos, um caso único no mundo que traduz como qualquer outro que esse modelo não é funcional. Traduzido em verbas, é como se jogássemos fora R$ 8 bilhões por ano numa área que já é subfinanciada. E como vimos, quem paga o pato são as crianças mais pobres, acumuladas em salas de aula superlotadas e desconfortáveis, submetidas a conteúdos que não dialogam com os desafios atuais, dados por profissionais nem sempre nas melhores condições — finalizou o senador. Fonte: Agência Senado
Senac-BA abre 5 mil vagas para cursos e oficinas com início entre maio e junho

Os cursos do Senac-BA, para os meses de maio e junho, já estão com inscrições abertas. Com mais de 5 mil vagas, para Salvador e interior, a Agenda de Cursos traz especializações voltadas para inserção no mercado de trabalho nos segmentos de Gestão, Beleza, Comércio, Hospitalidade, Gastronomia, Moda, entre outros. Portador da carteira Sesc tem 20% de desconto. Mercado de trabalho – De acordo com o Banco de Oportunidades do Senac, os cursos mais procurados pelo mercado de trabalho pertencem, em sua maioria, ao segmento de Beleza. Os interessados em agregar conhecimento neste campo de atuação, podem encontrar oportunidades nas atividades de: Manicure (82 vagas), Cabeleireiro (58 vagas), Barbeiro (14 vagas), Maquiador (42 vagas) e Design de Sobrancelha com Henna (99 vagas). Outro setor com chances no mercado é o de comércio e atendimento. Telemarketing (25 vagas), Atendente de farmácia (24 vagas) e Operador de caixa (50 vagas) são opções para quem deseja trabalhar no ramo. Todas as oportunidades – A lista completa de cursos e oficinas com seus respectivos pré-requisitos, valores e forma de pagamento pode ser encontrada nas unidades do Senac, acessada no portal www.ba.senac.br/cursos ou consultada pelo Serviço de Informação Senac: (71) 3186-4000. Fonte: Senac Bahia
Dia de Aprender Brincando estimula aprendizagem ao ar livre

No dia 17 de maio acontece o Dia de Aprender Brincando, uma campanha global que tem o intuito de celebrar e inspirar o aprendizado e as brincadeiras ao ar livre. O movimento é inspirado na campanha “Dia da Sala de Aula Vazia”, fundada no Reino Unido, para incentivar as escolas de Londres a aprenderem ao ar livre e valorizarem a educação ambiental. No Brasil, é o segundo ano da campanha, promovida pela Associação Cidade Escola Aprendiz, que há 20 anos contribui para o desenvolvimento dos sujeitos e suas comunidades por meio da promoção de experiências e políticas públicas orientadas por uma perspectiva integral da educação. Leia Também: “Ao brincar, as crianças entram em contato consigo mesmas e com o mundo” A importância de brincar sem brinquedo A ideia é que escolas, familiares e parceiros se inscrevam gratuitamente e promovam as atividades ao ar livre. No site da campanha estão disponíveis recursos como pôsteres, ideias para aulas e sugestão de leituras que estimulam a aprendizagem fora da sala de aula. Segundo os organizadores, as atividades ao ar livre aprimoram as competências sociais das crianças, bem como a resolução de problemas, e as habilidades de trabalho em equipe. Fonte: Carta Educação
‘Seria a última guerra da história’: ex-militar russo adverte para escalada de tensão com Ocidente

(Evgeny Buzhinsky, ex-integrante do Estado Maior russo, diz a disputa entre a Rússia e o ocidente pode acabar em guerra aberta) A tensão diplomática entre a Rússia e parte do Ocidente desencadeada pelo envenenamento de um ex-oficial dos serviços de inteligência russo na Grã-Bretanha ainda não tem um desfecho previsível. O governo britânico acusou o governo russo de estar por trás do ataque a Sergei Skripal e sua filha, Yulia, em 4 de março, e anunciou a expulsão de 23 diplomatas do país. Desde então, outros 20 governos também expulsaram diplomatas russos. A Rússia respondeu expulsando mais de 100 diplomatas do Reino Unido, EUA e outros países. Skripal, que era agente duplo e fornecia informações ao serviço secreto britânico, teria sido atacado com um gás neurotóxico em Salisbury, na Inglaterra. Ele e sua filha estão sob tratamento em um hospital – ele em estado crítico, ela, em estado de recuperação. O apoio do presidente Vladimir Putin ao presidente sírio Bashar al-Assad e o suposto envolvimento do governo russo na disseminação de notícias falsas pata tentar influenciar as eleições americanas são outros fatores que complicam as relações com o Ocidente. Pessoas próximas ao Kremlin acreditam que existe a possibilidade de um conflito maior – incluindo uma guerra. Essa é a opinião do tenente-general Evgeny Buzhinsky, que foi um dos principais negociadores militares da Rússia até 2009 e hoje dirige o centro de estudos PRI em Moscou. O envenenamento de um ex-espião que elevou as tensões entre Rússia e Reino Unido Ex-espião russo envenenado com a filha já tinha perdido a esposa e o filho O que acontece quando diplomatas são expulsos de um país? Na terça-feira, quase um mês depois do ataque, Buzhinsky deu uma entrevista ao programa Today, da rádio BBC 4. O programa também entrevistou Tony Brenton, que foi embaixador britânico na Rússia entre 2004 e 2008. Ele afirmou que a opinião de Buzhinsky é uma “visão relativamente dominante (na Rússia), muito espalhada tanto na elite quanto no povo.” “Nós dizemos para nós mesmos, no oeste, que Putin é um autocrata, que quando ele sair a situação vai melhorar. Mas a verdade é que não temos um problema com Putin, temos um problema com a Rússia”, disse Brenton. No programa, Buzhinsky, começou explicando que Putin apoia Assad porque este “é um presidente legítimo e não queremos que a Síria vire uma bagunça, como aconteceu com a Líbia”. “Ele (Assad) pode sair, mas como resultado de eleições gerais, não forçado por terroristas e seus aliados.” Abaixo, o diálogo que se seguiu com o apresentador do Today, Nick Robinson: Então o objetivo da Rússia tem sido impedir uma mudança na Síria, e que os grupos que você chama de terroristas, mas que outros chamam de grupos rebeldes, obtenham algum tipo de poder? O principal objetivo agora é acabar com a guerra civil. Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionEnvenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal no Reino Unido inflamou tensões entre a Rússia e o Ocidente Estamos muito, muito longe disso. A guerra já dura oito anos e mesmo se Assad vencer seus opositores, todos os ingredientes para um conflito prolongado estão aí, não? Sim, com certeza. Porque os objetivos da Rússia, da Turquia, do Irã e os da oposição, liderada pelos Estados Unidos, são diferentes. Todos querem a mudança do regime. A Rússia não quer isso. É interessante você levantar a questão de que existe uma visão do Ocidente e uma visão diferente da Rússia. Isso é verdade para quase todos as questões nas quais a Rússia está atualmente envolvida. Qual sua avaliação da situação internacional Rússia, considerando que não só o Reino Unido, mas países da União Europeia e do mundo todo expulsaram diplomatas russos e simplesmente não acreditam no que o Kremlin diz sobre o envenenamento (do ex-espião) em Salisbury? Não tem sentido (essa descrença). Foi com certeza um crime. Começando a investigação de qualquer crime, qual a primeira pergunta que o investigador faz? Quem se beneficia. Nesse crime, o presidente Putin é a última pessoa que se beneficia, porque o crime foi nas vésperas da eleição presidencial (na Rússia), nas vésperas da Copa Mundial de Futebol, é inacreditável que a Rússia… A Rússia que, a propósito, apresentou 13 perguntas para a Organização para a Proibição de Armas Químicas, porque o gás que acusam a Rússia de ter usado é tão venenoso que é impossível que as pessoas… A não ser que o antídoto seja administrado minutos depois. Se o antídoto foi usado, como (os britânicos) sabiam que tipo de gás foi usado? Há muitas questões. Há muitas perguntas, muitas teorias da conspiração que vem de Moscou também. O que não existem são respostas, respostas (que digam) o porquê de tantos países no mundo todo, não só os inimigos tradicionais da Rússia, acreditarem que o Kremlin é responsável pelo ataque. Por favor, quando você diz o mundo, você quer diz o Reino Unido, os Estados Unidos e alguns outros países. Mas “alguns outros países” é algo crucial, não? Não é apenas o Reino Unido, não é apenas a União Europeia, não são apenas os Estados Unidos. Quem mais responsabiliza a Rússia? Que grandes países? Índia, China, países asiáticos, Coreia, quem? Que países? Então você acha que não importa? Veja, é uma guerra fria. É pior do que a Guerra Fria porque se a situação continuar se desenvolvendo (da forma) como (está caminhando) hoje, vai ter um resultado muito, muito ruim. Dê mais detalhes, o que você quer dizer com “resultado muito ruim”? Porque seria pior que a Guerra Fria? Uma guerra real. Pior que a Guerra Fria é uma guerra real. Será a última guerra na história da humanidade. Você está dizendo que as repercussões do envenenamento podem levar a uma guerra real? Como? Não só o envenenamento em Salisbury, mas tudo o que está acontecendo. A pressão dos Estados Unidos e do Reino Unido vai continuar. O que vão conseguir com isso? Vão conseguir uma mudança no regime (na Síria)? É inútil. Vocês não conhecem os russos. Quanto maior a pressão
Entenda o escândalo do Facebook que comprometeu dados de mais de 50 milhões

Por GUSTAVO SUMARES Você deve ter ouvido falar recentemente do último “escândalo” do Facebook. Segundo uma série de reportagens do Guardian, uma empresa – chamada Cambridge Analytica – coletou os dados de mais de 50 milhões de usuários da rede social. E, de posse desses dados, fez campanhas políticas que podem ter tido influência decisiva em diversos acontecimentos globais, como a saída do Reino Unido da União Europeia e a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, embora o seu impacto seja difícil de ser medido. Boa parte das informações sobre o caso vêm de Christopher Wylie, um funcionário da Cambridge Analytica que viu o poder da arma política que havia ajudado a criar e decidiu falar sobre ela ao jornal. O curioso é que os dois lados da história – o Facebook e a empresa – insistem que é o outro que está errado. Segundo o Facebook, a Cambridge Analytica usou de maneira indevida os dados de seus usuários. Veja também: Ministério Público investiga se escândalo do Facebook atingiu o Brasil Mozilla suspende publicidade no Facebook após escândalo da Cambridge Analytica Concurso paga US$ 100 mil por ideias para um substituto do Facebook Cofundador do WhatsApp diz que usuários deveriam deletar o Facebook Como parar de compartilhar seus dados com a plataforma do Facebook Mas a empresa, por sua vez, diz que o Facebook sabia o que estava sendo feito e não tomou praticamente nenhuma atitude para impedi-los. A partir disso, eles teriam determinado que não havia nada de errado e seguiram adiante, coletando ainda mais dados. O resultado disso pode ser visto em uma série de situações políticas no mundo todo. O caso, de qualquer maneira, é extremamente grave e merece uma explicação mais detalhada. A resposta oficial do Facebook a ele – que ainda não veio – pode selar o destino da empresa. E independente dela, o caso deve mudar a forma como as redes sociais tratam os dados de seus usuários, e reforça a questão: tome muito cuidado com o que você consome e compartilha na internet, porque aquele teste inocente que você faz no Facebook pode alimentar a campanha política de algum candidato que você despreza, independentemente de sua posição ideológica. O começo Wylie, atualmente um jovem de 28 anos, aprendeu sozinho a programar e estudou direito na London School of Economics, na Inglaterra. Embora ele originalmente estivesse interessado em pesquisar maneiras de prever as tendências da moda, ele acabou indo trabalhar em política. Empregado por partidos, ele tentava entender como eles poderiam atrair mais eleitores usando todo tipo de informações. Nessa linha de pesquisa, ele começou a se interessar pela possibilidade de prever tendências políticas com base em traços de personalidade. Se uma pessoa fizesse um teste de personalidade do Facebook, por exemplo, um partido político seria capaz de decidir, com base nos resultados dela, se ela poderia se tornar uma eleitora do partido. Era uma ideia que, se comprovada, poderia valer muito para os partidos. Foi então que Wylie foi abordado por Alexander Nix, o CEO de uma empresa chamada SCL Elections que pretendia fazer exatamente isso. A empresa era parte do SCL Group, que realizava trabalhos para os departamentos de defesa dos EUA e do Reino Unido, entre outros. A área de atuação dela era “operações psicológicas”, ou “psyops”, em inglês: a técnica de manipular a opinião das pessoas por meio de “dominação informacional”: uma mistura de rumores, desinformação e notícias falsas. Nix contratou Wylie como diretor de pesquisa do grupo. Nesse cargo, Wylie conheceu Steve Bannon, o editor do site de extrema-direita Breitbart (e chefe de estratégia da campanha de Donald Trump), que se interessou pela sua área de pesquisa. Bannon apresentou Wylie a Robert Mercer, um bilionário CEO da Renaissance Technologies – um fundo de investimentos voltado para financiar a agenda política da direita. E Mercer comprou a ideia de Wylie, literalmente: ele investiu milhões de dólares para que Nix e Wylie fundassem uma empresa dedicada a explorar a possibilidade de usar dados do Facebook para manipular a opinião política dos usuários. Essa empresa viria a ser a Cambridge Analytica. Mas para chegar a esse ponto, Wylie e Nix precisavam de dados com os quais trabalhar. Coleta massiva É nesse ponto que entra na história o pesquisador Aleksandr Kogan. Kogan criou um teste de personalidade que, segundo o Guardian, foi essencialmente copiado de outro teste que já havia sido usado para estudar a ligação entre personalidade e opinião política. Ele então ofereceu esse teste à Cambridge Analytica e usou o Facebook para compartilhá-lo, a fim de fazer a coleta de dados para a empresa. No total, cerca de 320 mil pessoas fizeram o teste, chamado de “thisisyourdigitallife”, ao longo de 2014. Para isso, era necessário dar à empresa acesso aos dados do seu perfil – algo que poucas pessoas notavam quando clicavam para fazer o teste. E o que menos gente ainda percebeu era que, ao autorizar o teste a acessar seus dados, você também o autorizava a acessar os dados de seus amigos. Dessa forma, cada pessoa que fez o teste entregou, além dos próprios dados, as informações pessoais de 160 amigos, em média. Esses dados incluiam coisas como atualizações de status, fotos , curtidas em posts e páginas, participações em grupos e, em alguns casos, até mesmo mensagens privadas, segundo Wylie. Por esse meio, em questão de semanas a empresa conseguiu ter acesso a milhões de perfis do Facebook. Segundo Wylie, a rede social sabia que havia algo errado, mas como Kogan alegou que estava extraindo os dados para fins acadêmicos, a empresa não fez nada. “O Facebook não fez o menor esforço para recuperar os dados”, diz Wylie. Manipulação Esses dados foram usados para criar os modelos e algoritmos usados pela Cambridge Analytica para determinar como fazer para manipular as pessoas. De posse deles, a empresa conseguia saber a que tipo de postagem cada pessoa estava suscetível – não só vídeos, textos ou imagens, mas também o conteúdo, o tom e o estilo de cada postagem. Também era possível saber quantas vezes era necessário
Racismo e desigualdade não são discutidos em todas as escolas

Temas são abordados em projetos pedagógicos quando se fala de bullying e sexualidade Por: NOVA ESCOLA A desigualdade social não está na pauta de 40% das escolas do ensino público no Brasil. A diversidade racial fica fora de 52%. O racismo é mais discutido em sala de aula, mas ainda assim 24% das escolas não o abordam em projetos temáticos – ou seja, um universo de 12 mil escolas espalhadas pelo país. LEIA MAIS 5 maneiras de falar sobre Pantera Negra na sua aula Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), a partir de dados do Censo Escolar de 2015, aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De acordo com o estudo, as questões sobre desigualdade social, racismo e diversidade religiosa são tratadas como temas de projetos correlatos a bullying, uso de drogas e sexualidade na adolescência. As questões foram respondidas por 52 mil diretores de escolas públicas. LEIA MAIS A arte africana nas máscaras, nas danças e nos desenhos A Lei 10639, promulgada em 2003, determina a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira no ciclo básico. Ainda que neste mês um acordo entre os ministérios da Educação e dos Direitos Humanos tenha criado uma iniciativa para garantir o cumprimento da lei, incluindo boas práticas no ensino desses temas e capacitação de professores, o edital só deve sair no final do mês. O Ceert vem cumprindo esse papel de capacitar professores desde 1998, garantindo formações para mais de 24 mil docentes em 1146 municípios. Desde 2002, a ONG mapeia e premia boas práticas de ensino da cultura afrobrasileira nas escolas, que estão listadas em seu site. Racismo e desigualdade em escolas Infogram Fonte: Nova Escola
Educação de Jovens e Adultos: acolher para educar

Por ANA LUIZA BASILIO As salas de acolhimento na EJA são uma ação afirmativa necessária para que, sobretudo as mulheres, tenham assegurado o direito à educação. Aos dezoito anos, Solange deixou a escola. A garota não conseguiu conciliar os estudos com a dura rotina vivida em casa. Desde pequena já fazia serviços domésticos e ainda tinha que lidar com o ciúmes do pai, que nem a deixava ir à escola sozinha, só na companhia dos irmãos. “De alguma forma, isso mexeu muito comigo, e eu só brigava no colégio”, conta. Dez anos depois, seu maior sonho é terminar os estudos. A questão é que precisa conciliar a sala de aula com os cuidados dedicados aos filhos de sete, quatro e dois anos de idade. A tarefa nem sempre é fácil. Para voltar a frequentar as aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma das escolas de São Luís (MA), ela chegou a deixar as crianças com a sogra, depois com uma prima, até que não conseguiu mais contar com esse apoio e teve que mais uma vez adiar o plano de finalizar a educação básica. O Relatório Global sobre Aprendizagem de Adultos, publicado esse ano pela Unesco, aponta que da parcela de adultos analfabetos no mundo, 700 milhões, as mulheres são mais prejudicadas do que os homens. Elas representam 63% dos adultos com baixas habilidades de alfabetização. Leia mais: Educação de Jovens e Adultos: avanços e desafios O recorte de gênero evidencia mais um desafio da EJA, de pensar condições para que, sobretudo as mulheres, tenham como permanecer em sala de aula e viabilizar seus estudos. Algumas iniciativas já caminham nesse sentido. A Fundação Vale, por exemplo, está implementando em três escolas municipais de São Luís salas de acolhimento para atender crianças enquanto seus familiares estudam. A ideia é partir de salas ociosas das escolas e ambientá-las com brinquetodeca e um acervo de livros. “Ofertamos formação para toda a equipe pedagógica da unidade para que os profissionais entendam o papel do espaço e ainda possam refletir sobre o papel da escola na superação das desigualdades, sobretudo em relação a gênero”, explica a especialista em educação da Fundação Vale, Andreia Prestes Massena. Para ela, as escolas de EJA precisam trabalhar com a dimensão do acolhimento. “É preciso conhecer esse aluno em profundidade para efetivar um trabalho transformador. O aluno do EJA já passou por várias exclusões na vida, sendo uma delas, a da escola regular. E são várias as questões envolvidas aí, desde desestruturação familiar a trabalho. E, embora, ele tenha um repertório de leitura de mundo, muitas vezes retorna à sala de aula com baixa auto estima, por se sentir menos capaz. E é dever das escolas apoiar na superação desses estigmas para que o estudante possa, de fato, exercer a sua cidadania”, avalia. A especialista conta que a iniciativa das salas de acolhimento da Fundação Vale não é nova, e toma como referência o Programa Pro Jovem Urbano, do Ministério da Educação, que oferece apoio técnico e financeiro a Estados, municípios e o Distrito Federal para elevar a escolaridade de jovens com idade entre 18 e 29 anos, com possibilidade de criação das salas de acolhimento. O município de Curitiba foi um dos que aderiu ao programa e, hoje, oferta as salas a cinco escolas de sua rede que atendem a modalidade EJA. As salas de acolhimento funcionam das 18h às 22h e prestam atendimento a 100 crianças. “Fizemos um diagnóstico com base no Censo Escolar 2010 para entender qual era a demanda em nossa rede e identificamos que a necessidade era maior em nossas unidades da Regional Sul, que têm estudantes mais jovens, com filhos pequenos”, conta a gerente da Educação de Jovens e Adultos, Isabel Nowacki de Loyola. Os espaços contam com atividades lúdico pedagógicas oferecidas por professores concursadas da rede. “Oferecemos atividades dirigidas como oficinas de culinária, contação de histórias e outras a partir do interesse das crianças, como montagem de carrinhos e bonecos. Essas crianças já passam o dia na escola e precisam desse momento de descontração”, avalia Isabel. Para ela, além de uma ação afirmativa necessária para que, sobretudo as mulheres, tenham efetivado seu direito à educação, é uma maneira de qualificar a formação de todo o arranjo familiar. “À medida que essa mãe, pai ou avós são formados tem-se uma melhoria na formação das crianças. Hoje, inclusive, elas são grande incentivadoras dos pais a frequentarem as escolas. O analfabetismo é uma questão a ser combatida”, finaliza. Fonte: Carta Educação
Água em garrafa contém microplásticos, diz estudo

O termômetro ultrapassa a marca dos 30°C na praia de Copacabana. Marcio Silva, 51, vendedor com quilômetros de experiência no calçadão, vende o alívio em forma de água gelada em garrafas. “Eu bebo água porque água é vida, água é saúde”, diz. “Eu não venderia se não fosse boa para as pessoas.” Uma nova pesquisa da Orb Media (https://orbmedia.org/stories/plus-plastic), organização jornalística sem fins lucrativos sediada em Washington, porém, mostra que uma única garrafa de água pode conter dezenas ou até milhares de partículas microscópicas de plástico. Testes em mais de 250 garrafas de 11 marcas líderes de mercado, incluindo a Minalba, no Brasil, revelaram contaminação por plásticos variados inclusive polipropileno, náilon e tereftalato de polietileno (PET). Quando questionados, representantes de duas marcas populares confirmaram que seus produtos contêm microplástico, mas que o estudo da Orb exagera significativamente a quantidade. A Universidade Estadual de Nova York conduziu os testes que revelaram uma média de 10,4 partículas na faixa dos 100 mícrons (ou 0,10 mm, a largura de um fio de cabelo) por litro. Essas partículas foram confirmadas como sendo matéria plástica usando um microscópio infravermelho de padrão industrial. Os testes mostraram também uma quantidade muito mais alta de partículas ainda menores em tamanho e com boa probabilidade de constituir matéria plástica. A média global para essas partículas foi de 314,6 por litro. As amostras vieram de 19 locais, em nove países de cinco continentes. Algumas garrafas tinham teor zero de plástico. Uma garrafa acusou mais de 10 mil partículas por litro. Havia presença de plástico em 93% das amostras. “Isso é chocante”, relatou à Orb o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Erik Solheim. “Alguém, por favor, me aponte um ser humano no planeta inteiro que queira beber água com plástico.” A produção de água engarrafada atinge cerca de 300 bilhões de litros por ano. Avaliado em US$ 147 bilhões por ano, o mercado de água em garrafas é o que cresce mais rápido no mundo no setor de bebidas. POLUIÇÃO A poluição por plástico vem preocupando cientistas e governos de vários países. Estudos recentes revelaram a presença de microplástico —partículas medindo menos de 5 milímetros— nos oceanos, no solo, no ar, em lagos e em rios. Agora parece surgir a última fronteira do plástico, que é o corpo humano. Em 2017, uma pesquisa da Orb Media revelou a presença de fibras microscópicas de plástico em várias amostras de água canalizada no mundo. O estudo é um exemplo iluminador do íntimo contato entre o ser humano e o plástico hoje em dia, segundo Martin Wagner, toxicólogo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. É bem provável que o microplástico esteja presente nos tecidos do nosso corpo, diz Jane Muncke, diretora-gerente do Fórum de Embalagem de Alimentos, organização de pesquisa de Zurique. O que isso significa para a saúde humana não se sabe ainda. “Com base em nossos conhecimentos atuais, que são muito fragmentários e incompletos, o nível de perigo para a saúde é baixo”, explica Wagner. “O corpo humano é bem adaptado para lidar com partículas não digestíveis.” É provável que o intestino humano consiga excretar até 90% do microplástico que é consumido, segundo um relatório de 2016 da União Europeia sobre a presença de plásticos em frutos do mar. Quanto aos outros 10%, uma pequena porcentagem das partículas com menos de 150 mícrons (0,15 milímetros) poderia entrar no sistema linfático do intestino ou chegar nos rins ou no fígado pela corrente sanguínea, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. O estudo da Orb revelou partículas que se enquadram nessa faixa. Mas as hipóteses sobre o que acontece com o plástico dentro do intestino vêm de modelos científicos, explica Jane Munche. “Nós nem conhecemos toda a química dos plásticos”, diz. “As incógnitas são muitas nesta área.” RESPOSTA Os fabricantes de água em garrafa disseram que seus produtos atendem todos os requisitos governamentais. A empresa alemã Gerolsnteiner disse que seus testes revelaram uma quantidade significativamente menor de micropartículas por litro do que a vista no estudo da Orb. A Nestlé testou seis garrafas provenientes de três locais diferentes depois de uma consulta feita pela Orb Media. Os testes, revelou Frederic de Bruyne, chefe de qualidade da Nestlé, mostraram entre zero e cinco partículas de plástico por litro. Nenhuma das outras empresas engarrafadoras concordou em disponibilizar os resultados de seus testes de contaminação plástica. “Nossa posição continua igual quanto à segurança dos nossos produtos de água em garrafas”, pronunciou a Associação Americana de Bebidas em um comunicado. A Minalba afirmou que o processo de extração e envase da água da fonte mineral Água Santa, em Campos do Jordão (SP), segue todos os padrões de qualidade e segurança exigidos pela legislação brasileira, refletindo, com rigor, a manutenção das propriedades minerais vindas da natureza. Anca Paduraru, porta-voz da Comissão Europeia para segurança alimentar, afirmou que não há regulamentação direta sobre microplástico em água engarrafada, mas que a legislação deixa claro que não pode haver presença de contaminantes. Os EUA não têm regras específicas para teor de microplástico em alimentos e bebidas. O estudo foi supervisionado pela professora Sherri Mason, renomada pesquisadora de microplásticos da Universidade Estadual de Nova York, em Fredonia. Mason também coordenou o estudo de 2017 da Orb sobre água encanada. Para testar a água engarrafada, Mason e sua equipe primeiro impregnaram cada garrafa com um corante chamado Nile Red. Vistas sob o microscópio e com a ajuda de óculos protetores de cor laranja, as partículas tingidas com o corante mostram um fulgor de braseiro em cada filtro. Mason ainda detectou partículas maiores, de cerca de 100 mícrons (0,10 milímetros), usando a espectroscopia Fourier-Transform, que lança uma luz infravermelha dentro do objeto para descobrir sua assinatura molecular. O polipropileno usado em tampinhas de garrafa foi responsável por 54% dessas partículas maiores. O náilon ficou com 16% e o PET usado nas garrafas constituiu 6%. A maior parte das amostras chegou em garrafas plásticas, mas a água em garrafas de vidro também