Martagão na Praça: Saúde, Cultura e Cidadania no Campo Grande

A ACEB – Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia e o IES – Instituto Esperançar – divulgam e convidam toda a comunidade para participar do Martagão na Praça, uma grande feira de saúde e serviços gratuitos que será realizada no dia 13 de setembro (sábado), das 9h às 16h, na Praça do Campo Grande, em Salvador. O evento é uma iniciativa conjunta da Liga Antônio Bahia, do Hospital Martagão Gesteira e da Associação Crescer, com apoio da ACEB e do IES, reafirmando o compromisso das entidades com a promoção da saúde, da cidadania e do bem-estar da população baiana. Durante o dia, serão oferecidos diversos serviços e atividades:🩺 Saúde e Bem-Estar
Exposição “Raízes e Asas” celebra ancestralidade e empoderamento feminino negro em Salvador

Por [Comunicação ACEB] | Atualizado em 06/06/2025 Uma celebração vibrante da cultura afro-brasileira está em cartaz no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, no Corredor da Vitória. A exposição “Raízes e Asas”, idealizada coletivamente por mulheres negras, apresenta um rico panorama artístico que entrelaça memória, identidade e contemporaneidade. Destaques da Exposição “Esta exposição é um ato político de ocupação e ressignificação dos espaços culturais”, afirma a curadora Dandara Oliveira, destacando o caráter colaborativo do projeto. Serviço 📍 Local: Centro de Cultura Vereador Manuel Querino (Corredor da Vitória)📅 Período: Até 30 de julho de 2025🕒 Horário: Conecte-se com a ACEB Siga nossas redes para acompanhar esta e outras iniciativas culturais:📸 Instagram: @aceb.qualifica👍 Facebook: @aceboficial🐦 X: @acebqualifica🔵 Bluesky: @acebqualifica1.bsky.social #ACEBCultural #RaízesEAsas #CulturaNegra #Salvador
Novembro Negro é destaque da Programação Cultural deste mês

Celebrando o mês da Consciência Negra, a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa) realiza uma programação especial em novembro. Durante todo o mês, as unidades da FPC oferecem exposições, palestras, oficinas, contações de histórias e eventos que visam debater e enriquecer a história, como também saudar a identidade do povo negro. Os eventos incluem oficinas de arte, literária, tranças e turbantes. Além disso, no dia 18, a Biblioteca Anísio Teixeira promove um quiz sobre personalidades negras do Brasil, tais como Lima Barreto, Juliano Moreira, Djamila Ribeiro, Maria Carolina de Jesus e Lélia Gonzalez. O intuito do evento é levar os participantes a conhecerem a importância dessas pessoas para a construção da consciência negra. Destaque também para as mesas de debates que acontecem na Biblioteca Central do Estado da Bahia, lançamentos de livros na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato e os episódios do podcast Boca de Afofô da Biblioteca Virtual Pedro Pondé. As Bibliotecas Públicas também oferecem oficinas de turbantes, tranças e muitas outras atividades. publicado originalmente por: http://www.fpc.ba.gov.br/2021/11/2330/Novembro-Negro-e-destaque-da-Programacao-Cultural-deste-mes.html
Setur, Saeb e Setre recebem edição “Outubro Rosa” de Feira de Variedades da ACEB

Exposição presencial de empreendedores é retomada após interrupção causada pela pandemia
Centro de cultura espanhola em Salvador promove ciclo de cinema LGBTQIA+ com exibições gratuitas online; veja programação

Projeto ‘Eu estou te amando loucamente’ acontecerá em plataforma de vídeos do Instituto Cervantes a partir de terça-feira (6) até o dia 1º de agosto
Jô e Roberto, dois fenômenos que só Freud explica

Roberto afirmou que “quem tem TOC é um sofredor, mas eu já melhorei bastante”
Primeira missa natalina da Osid após canonização de Irmã Dulce é celebrada em Salvador

Celebração vai acontecer na sexta-feira (20), no Santuário Santa Dulce dos Pobres, localizado no Largo da Roma
Festival Virada Sustentável divulga programação

Evento acontece nos dias 8, 9 e 10 de novembro em 50 espaços de Salvador
Verba usada no Museu Nacional em 2018 equivale a 2 minutos de gastos do Judiciário e 15 minutos do Congresso

Mesmo detendo um acervo de 20 milhões de itens, o Museu Nacional custava muito pouco para o governo federal – especialmente quando seus custos são comparados a outros da máquina pública. Os R$ 268,4 mil gastos pelo Museu em 2018 até agora equivalem, por exemplo, a menos de 15 minutos de gastos do Congresso Nacional em 2017, por exemplo – Câmara e Senado custaram R$ 1,16 milhão por hora no ano passado, segundo levantamento da Ong Contas Abertas, especializada em acompanhar os gastos do governo. Fiação exposta, gambás e cupins: os alertas ignorados que anunciavam tragédia no Museu Nacional ‘Daqui a três dias, infelizmente, já cairá no esquecimento’, diz ex-diretor do Museu da Língua Portuguesa sobre comoção com incêndio Todos os dados relativos ao Museu Nacional nesta reportagem foram levantados pela reportagem da BBC News Brasil por meio do Siafi. A comparação com o Poder Judiciário é ainda mais desfavorável: os mesmos R$ 268,4 mil seriam capazes de manter a máquina judiciária funcionando durante menos de 2 minutos em 2017 – no ano passado, a Justiça brasileira custou R$ 90,8 bilhões, segundo o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De tudo que foi gasto pelo Museu Nacional este ano, uma parcela muito pequena – R$ 31,3 mil – foi usada para manutenção física e reformas do prédio onde a instituição funcionava, no parque da Quinta da Boa Vista, no Rio.Talvez também te interesse Ali perto, o estádio do Maracanã consumiu cerca de R$ 1,3 bilhão em sua última reforma, cujo objetivo era prepará-lo para a Copa de 2014. O total gasto com a reforma do Maracanã é 5.022 vezes maior que o gasto pelo Museu Nacional até agora em 2018. Em 2017, o Museu teve gastos da ordem de R$ 413 mil. É muito se comparado aos gastos de uma família, mas uma quantia muito modesta diante do Orçamento da União. E é muito pouco mesmo na comparação com as cifras da corrupção no Brasil: o ex-diretor da Petrobras Pedro Barusco poderia “manter” a instituição durante 640 anos – em valores de 2017 – com os R$ 267 milhões que ele devolveu como parte de seu acordo de delação premiada, em 2017. O mesmo valor de R$ 413 mil é também 15 vezes menor que os R$ 6,5 milhões que o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e sua esposa Adriana Ancelmo gastaram com a compra de joias de 2000 a 2016. Verbas em queda livre desde 2013 As causas do incêndio que destruiu o Museu neste domingo ainda não são conhecidas. Mas as dificuldades orçamentárias e investimentos mínimos em manutenção, reparos e segurança vêm sendo relatados por funcionários da instituição há décadas. O maior baque ocorreu entre os anos de 2013 e 2015 – os gastos do museu caíram de R$ 1,04 milhão em 2013 para apenas R$ 397,4 mil em 2015 (em valores corrigidos pela inflação). Nos anos seguintes, esta capacidade se recuperou um pouco, mas continua baixa. Foram R$ 480 mil em 2016, em valores corrigidos pela inflação, e R$ 445 mil em 2017. Embora o orçamento do museu ao longo dos anos tenha sido um pouco maior do que isto, os gastos efetivos da instituição são o mais importante se ser avaliado – no sistema brasileiro, o orçamento corresponde a uma autorização para gastar. Gastos com manutenção: só R$ 252 mil desde 2014 Outra coisa que chama a atenção nos gastos do Museu Nacional é o quão pouco a instituição gastava efetivamente para renovar sua estrutura física. Desde 2014, o Museu Nacional gastou apenas R$ 252 mil para tal fim. A última reforma relevante foi em 2014: uma reforma na estrutura de refrigeração da Biblioteca Central. Em 2018, por exemplo, foram gastos apenas R$ 31,3 mil com manutenção – o orçamento destinado à rubrica este ano era de cerca de R$ 50 mil. Por outro lado, este ano o Museu usou R$ 188 mil para realizar eventos na casa. Por: André Shalders Fonte: BBC Brasil em São Paulo
Literatura e idioma: “em alemão, as relações são mais claras”

Com seu romance de estreia, “Die grüne Grenze” (A fronteira verde), Isabel Fargo Cole foi indicada em 2018 para o Prêmio da Feira do Livro de Leipzig. A escritora norte-americana, cujo romance foi escrito em alemão, fala sobre o que significa escrever em uma língua estrangeira. Um jovem casal que se muda no ano de 1973 para a região alemã do Harz, ou seja, para a zona proibida da Alemanha Oriental. E o filho deles que cresce em um mundo no qual muita coisa não pode ser dita. Isso está Die grüne Grenze (A fronteira verde), romance de estreia de Isabel Fargo Cole, que entrou em 2018 para a lista de concorrentes ao Prêmio da Feira do Livro de Leipzig. Nascida em 1973 em Nova York, a escritora norte-americana escreveu seu livro em alemão e sobre a Alemanha. Leia aqui uma conversa com ela sobre o desafio que é escrever em outra língua que não a materna. Seu romance recém-publicado sobre os últimos dias da Alemanha Oriental recebeu muitos elogios, tendo a intensidade da linguagem recebido expressamente o maior destaque na maioria das vezes. Você escreve em alemão, mas sua língua materna é o inglês. Isso é relativamente pouco usual. Não é assim tão pouco comum. Há cada vez mais escritores que têm o alemão como segunda língua e que escrevem nesta língua. A Alemanha é, hoje, um país de imigrantes. E quando você passa metade da sua vida ou até mais do que isso em um determinado ambiente, é relativamente normal que se sinta em casa nesta língua e a utilize para se expressar. Você vive desde 1995 na Alemanha, tendo originalmente se mudado para Berlim para estudar Literatura Alemã Moderna e Russo… … mas uma coisa da qual eu realmente me ocupei naquela época foi descobrir Berlim Oriental. Eu suguei todas essas histórias do meu círculo de amigos alemães orientais, além de ter me debruçado muito intensamente sobre a cultura. Assim descobri muitos autores alemães orientais e comecei a traduzir suas obras. Isabel Fargo Cole | Foto: © picture alliance/Sebastian Willnow/dpa-Zentralbild/dpa Da tradução para o inglês até escrever suas próprias obras em alemão: como isso evoluiu? Preciso dizer que escrevo desde a infância. Como adolescente em Nova York, fiz parte da fantasyscene e publiquei também alguns contos. Em Berlim, continuei durante muitos anos escrevendo em inglês, mas era difícil, porque ficava consideravelmente isolada de qualquer cena literária. Eu tinha a sensação de trabalhar em um vácuo. Então comecei a me interessar por temas ligados à Alemanha Oriental e à reunificação do país, ou seja, por aquilo que acontecia à minha volta. Eram coisas com relação às quais eu tinha a sensação de que escrever em inglês era como traduzir e que eu precisava explicar muito para um público de língua inglesa. Era mais fácil escrever em alemão. A expressão literária é o uso máximo da língua. Não se tem, em uma língua que não é a materna, muito menos recursos de expressão à disposição? É verdade que os recursos são mais limitados. Mas, de alguma forma, isso até me ajudou na hora de escrever, como por exemplo o fato de não ter tantos vocabulos à disposição. Sobretudo no início isso foi realmente positivo para a minha escrita. O inglês tem um vocabulário absurdamente rico, bem maior que o alemão. Com tantos sinônimos, é muito fácil se desviar para palavras belas e pouco comuns. Quando adolescente, sempre trabalhei com dicionários de sinônimos. Mudar para o alemão me ajudou, nesse sentido, a me aproximar mais da substância e escrever de maneira menos decorativa. Traduzir do alemão gerou frutos para a sua escrita na língua? Sim. Ao traduzir, você tem que estar realmente atento aos recursos idiomáticos dos quais o alemão dispõe. E constata com frequência que muita coisa não pode ser dita da mesma forma em inglês, como por exemplo o discurso indireto ou determinadas estruturas e formações de palavras. Já o fato de o alemão ser uma língua com declinações faz com que você capte as coisas de maneira diferente. É sempre possível distinguir entre objeto e sujeito, as terminações dos adjetivos são claras, de forma que você sempre vai saber quem faz o que com quem. As relações são mais claras. Você diz que algumas estruturas do alemão só podem ser dificilmente transpostas para o inglês. Você poderia dar exemplos disso? Em alemão, a sintaxe é mais flexível, por isso é possível dar destaque através da sintaxe. Há autores de língua alemã que escrevem frases muito sóbrias, muito minimalistas, que trabalham com diferenças sintáticas muito delicadas. O primeiro autor que traduzi era assim: Hermann Ungar, um escritor judeu morávio, contemporâneo de Kafka. Sua língua é muito reduzida, muito clara, e ao mesmo tempo cheia de ênfases, de maneira muito sutil, de forma que o texto nunca soa monótono. Traduzir isso para o inglês é a coisa mais difícil que existe, porque as frases em inglês precisam seguir sempre mais ou menos a mesma ordem. Aí tudo soa rapidamente muito duro. Foi só através de Ungar que adquiri consciência a respeito desses recursos. Em algum momento, tive vontade de usar isso para minha própria escrita. De fato, escrevi meu primeiro texto em alemão quando traduzia Ungar. Muitas escritoras e escritores que escrevem em uma segunda língua fazem de sua origem linguística uma ferramenta estilística. E você? Talvez eu me expresse às vezes de maneira pouco usual. Gosto também de brincar com a sintaxe, mas prefiro que não soe expressamente como inglês. Ninguém quer ser colocado em uma gaveta, e a gaveta dos anglicismos no alemão já está bem cheia. É claro que é possível brincar com isso, há inclusive uma bela e divertida tradição de misturar alemão com inglês, mas prefiro, na verdade, ir em outra direção. Publicado originalmente: Goethe Institut Brasilien
Quinze anos depois, Lei 10.639 ainda esbarra em desconhecimento e resistência

Casos de professores perseguidos ao trabalhar a história e cultura afro-brasileira revelam a fragilidade das redes em sistematizar as práticas A professora de Geografia da rede municipal de Macaé, município do Rio de Janeiro, Sabrina Luz, foi denunciada pelo pai de um estudante por exibir um filme sobre a cultura negra em sala de aula No vídeo que a docente veiculou em suas redes sociais, ela explica o porquê da escolha do filme Besouro, que conta a história do capoeirista baiano Manuel Henrique Pereira, conhecido como ‘Besouro Mangangá’, na década de 20. “O filme mostra a resistência negra [embora a abolição da escravatura tivesse ocorrido décadas antes, os negros continuavam a ser tratados como escravos], a capoeira, a umbanda e o candomblé como parte dessa resistência”, coloca. Ainda que o teor da denúncia não tenha sido divulgado, a professora acredita que ela tenha sido motivada por intolerância religiosa, ao que complementa. “A escola pública é laica, todos os alunos de todas as religiões cabem dentro dela”. A professora também comenta que 70% dos alunos que seguem as religiões de matriz africana evadem das escolas por preconceito. “O racismo é crime e nós professores temos que ensinar no cotidiano como foi a escravidão, mostrar a resistência do povo negro e a sua história”. Em nota, a Prefeitura de Macaé informou que não abrirá processo contra a professora. A decisão é pautada pela lei. A prática de Sabrina Luz se ancora na legislação 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos das redes de ensino e na lei 10.645 que trata da obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Sabrina, no entanto, não é a única a esbarrar em dificuldades para cumprir o a lei. Em março deste ano veio à tona um caso envolvendo o Sesi Volta Redonda (RJ), que chegou a repensar a indicação exclusiva da obra Omo-Oba: Histórias de Princesas, da autora Kiusam de Oliveira, diante o questionamento de alguns pais em relação ao conteúdo. À época, a instituição chegou a falar sobre a adoção de uma outra obra alternativa, mas voltou atrás assumindo o “equívoco” e eliminando a possibilidade da indicação de um novo livro. A mãe de um aluno, Juliana Pereira de Carvalho, viralizou seu post com mais de 6 mil compartilhamentos: “acredito ser de fundamental importância que a equipe pedagógica esclareça esses pais. Não falo apenas pelos meus filhos negros, mas para além da necessidade imediata da visibilidade afro-descendente, precisamos formar pessoas que se sensibilizem e busquem uma sociedade mais justa”, defendeu. Raio-X da intolerância No Rio de Janeiro, os casos de intolerância religiosa trilham uma curva ascendente, como mostram os registros da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI). Os dados apontam um aumento de 56% nos casos em comparação com o primeiro trimestre de 2017 e com o mesmo período deste ano: entre janeiro e abril do ano passado foram 16 denúncias; este ano, no mesmo intervalo de tempo, 25. Somando as denúncias de 2017 até abril deste ano há 112 casos registrados. O Rio de Janeiro concentra os maiores índices deste tipo de crime, 55%, seguido por Nova Iguaçu, 12,5% e Duque de Caxias, 5,3%. O tipo de violência mais praticada é a discriminação com 32%, depredação de lugares ou imagens 20% e difamação 10,8%. As religiões como Candomblé, Umbanda e outras de matrizes africanas lideram o índice de denúncias: candomblé, 30%, umbanda, 22% e as demais, 15%. Sensibilização e formação Embora reconheçam avanços desde o início da Lei 10.639, inclusive no sentido de pautar outros dispositivos sobre a cultura afro-brasileira, especialistas na temática reconhecem barreiras que ainda precisam ser superadas para sua total efetivação. O sociólogo e professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Leonardo Borges da Cruz, fala em falta de sistematização. “Nas escolas municipais, estaduais e particulares, o cumprimento da Lei ainda fica muito a cargo de um sujeito ou outro que resolve comprar a causa. Muitas vezes o professor se sensibiliza pelo tema ou por ser negro ou por ter tido contato com o tema em algum momento”, avalia o profissional que também é colaborador do projeto educacional ENEMEX. Ainda assim, nem sempre as práticas em sala de aula são corroboradas pela gestão escolar, como observa a pesquisadora Paola Prandini, co-fundadora da Afroeducação, instituição que pensa estratégias para a equidade racial brasileira. “Ainda são vários os casos de gestores, diretores e coordenadores não preparados que, dentro de uma lógica de racismo institucional, invalidam ou bloqueiam as possibilidades dos docentes”, conta. Leia Também: História negra, escola branca A representação do negro no material didático Prandini também cita como ponto nevrálgico da questão as famílias. “Temos um número muito grande de evangélicos neopentecostais que infelizmente entendem que trabalhar a cultura negra é trabalhar somente as religiões de matriz africana, não entendem a religião enquanto componente cultural”, acrescenta. Por essa razão, os especialistas entendem ser fundamentais estratégias de sensibilização e formação efetivas. Em São Paulo, a rede municipal de ensino aposta na educomunicação. “A ideia é superar a visão tradicional sobre a lei, de uma educação formal ultrapassada. O nosso trabalho é a partir das mídias, com possibilidades de trabalhar o cinema, o rádio, o jornal. Isso tem colaborado para que os professores se sintam mais seguros para a aplicação da lei”, comenta Paola Prandini, que atua como consultora da rede. No Estado do Rio de Janeiro, a SEDHMI firmou um termo de cooperação técnica com secretaria de educação para inclusão do tema no currículo estadual, com apoio de uma cartilha e um curso a distância para os profissionais das escolas. “É importante para que professores, coordenadores, diretores e familiares entendam o propósito da Lei”, afirma o membro da SEDHMI e presidente do Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa, Marcio D’Jagun. Outras narrativas O trabalho com a cultura e história afro-brasileira traz para as escolas a possibilidade de construir narrativas contra-hegemônicas. “É uma possibilidade para que a população negra, maioria em nosso País, tenha sua autoestima valorizada, sua representatividade legitimada e para que possamos trazer outros lugares de fala que não seja o do homem, branco, heterossexual, rico, cisgênero,
Educação deve ser arma contra o racismo

Uma educação de qualidade ensina a ética e o respeito às diferenças, busca a construção de uma sociedade sem preconceitos e sem violência No início do mês [junho/18], integrante da torcida da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) jogou casca de banana na direção de um atleta negro da Universidade Católica de Petrópolis e, juntamente com seus colegas, entoou cânticos preconceituosos durante os Jogos Jurídicos Estaduais 2018. No dia 6 de junho, a escola municipal Áurea Pires da Gama, do quilombo de Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis, foi depredada. Segundo a coordenadora da Associação de Remanescentes do Quilombo local, Marilda Souza, os ataques começaram em 2015, quando a escola se autodeclarou quilombola. No dia 6, os banheiros foram pichados com tinta vermelha e nas paredes foi escrito “vão morre” (sic). Duas semanas antes, a escola, que conta com 822 estudantes do segundo ciclo, já tinha sido invadida. Em 2017, algumas salas foram incendiadas e houve tentativa de colocar fogo também na biblioteca. Desigualdade flagrante O Atlas da Violência, organizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que a desigualdade racial no Brasil “se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal”. No período de uma década, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%, ao passo que o índice entre os não negros teve uma redução de 6,8%. Leia Também: O Brasil embranquecido na tela da TV O caso Peppa: racismo ou censura? O levantamento demonstra que 71,5% das pessoas assassinadas em 2016 eram negras. Em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no país, uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. O aumento nos últimos 10 anos foi de 6,4%. A taxa de homicídios de mulheres negras foi 71% superior à de mulheres não negras. Levantamento da Agência Brasil mostrou que entre os formandos de 2000, 2,2% eram negros e pardos e 9,3% brancos. Já em 2017, o índice de negros formandos subiu para 9,3%, quase quatro vezes, o de brancos para 22,9%, pouco mais que o dobro. Em 2015, eram 12,8% de negras e negros espalhados pelas 2.407 instituições de educação superior no país, mais de 87,7% nas universidades particulares e 12,3% públicas. O Censo do Ensino Superior de 2016 revelou que as matrículas na graduação em 2008 tiveram 11% de negros e pardos; em 2016 esse índice subiu para 30%. Essa ascensão incomoda os privilegiados rascistas. Contra a reação, ação Indignado com o comportamento discriminatório durante os jogos, o coletivo Nuvem Negra, da PUC Rio, afixou cartazes no Centro Acadêmico de Direito da instituição com as mensagens “O seu racismo não vai passar em branco”, “Racistas não passarão” e “Jogos sem racismo”. Os cartazes foram imediatamente arrancados. Eis os trechos de algumas letras cantadas pelos futuros advogados, juízes, delegados e promotores nos jogos em Petrópolis: “E já tem cota UFRJ Cota pros pobrim … Quer ajuda pro trem, eu integro Um trocado pro lanche eu dou … No fim do mês a grana vai falta Vai no lixão lá da central catar lata” “Ela é cotista e sempre quer que eu banque Mas eu só vou pagar se gozar … É favelada, vou ajudar um pouquinho Toma um trocadinho, vai Toma um trocadinho E faz um lanche ali no bandejão Pão com mortadela, de repente um requeijão De laranjeiras, foi pra Madureira Hj ela se esconde lá no morro do dende Foi lavadeira, já foi faxineira Hj a cotista ganha vida com…” A Constituição Federal (que esses alunos de Direito tem por dever estudar e aplicar) determina, em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. O artigo 140 do Código Penal brasileiro prevê o crime de injúria racial, definido como o ato de ofender a dignidade de alguém, seja verbalmente, com gestos ou por escrito, com a utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. A pena prevista é de um a três anos de prisão. Já o artigo 20 da Lei nº 7.716, de 5 de Janeiro de 1989, prevê prisão de até três anos para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Uma educação contrária ao racismo, ao sexismo e ao homofobismo é uma das bandeiras da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), que ressalta o seu papel como instrumento de construção da cidadania. Por isso, é fundamental a defesa e a prática de um ensino que reafirme o combate a todo tipo de preconceito e discriminação com a relação à cor da pele, ao gênero e à orientação sexual, fortalecendo os direitos constitucionais. Uma educação de qualidade ensina a ética e o respeito às diferenças, busca a construção de uma sociedade sem preconceitos e sem violência. José de Ribamar Virgolino Barroso, coordenador da Secretaria de Finanças da Contee Publicado originalmente em Carta Educação
Série Merlí, da Netflix, mostra como conectar ensino médio à vida do jovem

Em artigo, ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro discute como a série pode inspirar mudanças para tornar o ensino médio mais criativo Por: Renato Janine Ribeiro para Porvir* A série catalã Merlí, que trata de um professor de filosofia no ensino médio, é uma notícia muito boa para quem se interessa em discutir como pode ser criativo, envolvente e empolgante um curso no ensino médio. Ela se aplica à matéria de filosofia, mas poderia eventualmente ser pensada para outras, sobretudo na área de humanas. LEIA MAIS Ensino Médio: Base vai ter Português, Matemática e… O ponto básico é que Merlí está procurando ligar a filosofia e a vida. Não é por acaso que ele aparece, mais ou menos, no início da série levando um retrato de Nietzsche para o seu gabinete na escola. Nietzsche foi um filósofo que se interessou muito pela relação entre a filosofia e a vida. Nesse sentido, é muito diferente inspirar-se em Nietzsche e, por exemplo, dar um curso de filosofia sobre a história do conhecimento filosófico, mas de forma desconectada da vida dos jovens. A relação entre a filosofia e a vida é um ponto constante em todos os capítulos. Mesmo autores que não são tão conhecidos pelas suas reflexões sobre a vida, como Kant ou, mais remotamente, Aristóteles, são chamados a participar dessa utilidade que tem para os jovens e para a vida deles. E eu falei utilidade. Trata-se de mostrar conhecimento. É útil, mas nunca utilitário. O bom conhecimento não é utilitário. Ele não é um conhecimento que se limita a um manual de instruções de como subir na vida, ganhar mais salário, etc. Há um episódio no qual uma outra professora vai falar do ensino universitário e das graduações que os alunos podem fazer. É quase como uma venda de mercadorias, tanto que Merlí pergunta se ela também vai oferecer ovos cozidos. É um cardápio que ela está apresentando, denuncia ele. O que ele está interessado é em outra coisa: ver como todas as questões que aparecem na vida das pessoas, e são particularmente agudas neste período de transição da infância para a idade adulta, da idade de dependente para a idade de responsável, da subordinada para a idade adulta, podem encontrar respostas na filosofia. Não se trata, porém, de autoajuda. Ele não está procurando dizer que as pessoas façam isso ou façam aquilo. E quais são os tipos de conflitos que aparecem? Conflito com o pai, com a namorada, com uma professora que é trans e é discriminada, mas passa a ser respeitada a partir do que Merlí faz com ela. Um menino que sofreu bullying e não volta mais a escola, e Merlí se responsabiliza e se encarrega de trazê-lo de volta. A vida sexual dos jovens, a vida sexual do próprio professor Merlí. Um ponto interessante é que o professor é extremamente iconoclasta, o que quer dizer que ele é destruidor de imagens consagradas e idolatradas. Nessa destruição de ícones, Merlí evidentemente passa às vezes do limite. Ele questiona as regras, tanto as injustas quanto as justas. O interessante é que ele não está fazendo uma pregação de desobediência. Ele está mostrando que a filosofia é um espaço de questionamento. Muita coisa, que pode ser até mesmo correta, deve se passar primeiro pelo crivo do questionamento. Esse é um ponto que talvez seja tão importante, porque à medida que se aproxima o final da história, há um questionamento ao próprio Merlí. O próprio professor, embora tenha um papel fabuloso, é questionado. É curioso o confronto entre ele e uma nova professora que é dinâmica, cativante e fascinante. Mas todo esse caráter cativante e fascinante é apenas um método pedagógico, não é algo que vem de dentro. Em Merlí, os questionamentos e as medidas alternativas vêm de dentro. Por exemplo, se ele coloca alguma coisa própria, você nota que ele está questionando mesmo. A jovem professora tenta dinamizar o curso colocando slides e dizendo qual é a resposta certa. São respostas apenas factuais. O alunado vibra, salta, mas é apenas um quiz. Não tem nenhum efeito na mudança das pessoas. Eu penso que quem trabalha com jovens, com filosofia e com ensino médio em geral deveria acompanhar essa série. Deveria pensar o que nós podemos mudar nesta etapa para que ela fique mais perto da vida dos jovens. Hoje, o problema grande do ensino médio é esse: ele está muito afastado da vida. Na verdade, esse é o grande problema da educação. Quando eu fui ministro da educação, no ano de 2015, minha preocupação básica era a seguinte: por que até entrarem na escola fundamental, até uns 6 ou 7 anos, as crianças gostam tanto do que aprendem? Elas chegam em casa da escola ou da creche contando para os pais o que aprenderam e depois perdem esse gosto. À medida que vão estudando, elas começam entender a escola como um lugar aborrecido. Eu tenho certeza que os alunos de Merlí jamais acharam a escola deles aborrecida. Esse é o ponto crucial, talvez, para a gente pensar educação hoje. * Artigo publicado originalmente no site do Porvir
ACEB participa de fórum para impulsionar participação da mulher no esporte

A ACEB participou do Fórum de Mulheres no Esporte, realizado no Wish Hotel da Bahia, em Salvador, no último 2 de abril. Iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o evento contou com quatro mesas temáticas, reunindo cerca de 500 pessoas, entre atletas de diversas modalidades, gestoras, treinadoras, jornalistas, educadoras físicas e outras profissionais do esporte. A judoca campeã olímpica e mundial brasileira, Rafaela Silva, foi um dos destaques do evento. Na primeira mesa, a atleta compartilhou sua trajetória vitoriosa nos tatames e se emocionou ao lembrar das dificuldades e dos episódios de racismo que enfrentou durante a carreira. Também participaram, dentre outros destaques, as secretárias de Estado Olívia Santana (Setre) e Julieta Palmeira (SPM), a Deputada Alice Portugal e o diretor da Sudesb, Elias Dourado. Veja mais.
Racismo e desigualdade não são discutidos em todas as escolas

Temas são abordados em projetos pedagógicos quando se fala de bullying e sexualidade Por: NOVA ESCOLA A desigualdade social não está na pauta de 40% das escolas do ensino público no Brasil. A diversidade racial fica fora de 52%. O racismo é mais discutido em sala de aula, mas ainda assim 24% das escolas não o abordam em projetos temáticos – ou seja, um universo de 12 mil escolas espalhadas pelo país. LEIA MAIS 5 maneiras de falar sobre Pantera Negra na sua aula Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), a partir de dados do Censo Escolar de 2015, aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De acordo com o estudo, as questões sobre desigualdade social, racismo e diversidade religiosa são tratadas como temas de projetos correlatos a bullying, uso de drogas e sexualidade na adolescência. As questões foram respondidas por 52 mil diretores de escolas públicas. LEIA MAIS A arte africana nas máscaras, nas danças e nos desenhos A Lei 10639, promulgada em 2003, determina a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira no ciclo básico. Ainda que neste mês um acordo entre os ministérios da Educação e dos Direitos Humanos tenha criado uma iniciativa para garantir o cumprimento da lei, incluindo boas práticas no ensino desses temas e capacitação de professores, o edital só deve sair no final do mês. O Ceert vem cumprindo esse papel de capacitar professores desde 1998, garantindo formações para mais de 24 mil docentes em 1146 municípios. Desde 2002, a ONG mapeia e premia boas práticas de ensino da cultura afrobrasileira nas escolas, que estão listadas em seu site. Racismo e desigualdade em escolas Infogram Fonte: Nova Escola
Agenda de Artes Plásticas Salvador na Bahia

Coleção Arte Popular Século XX Data: Terça à Domingo (Permanente) Local: Solar Ferrão Endereço: Centro Histórico de Salvador Horário: Das 12h às 18h (terça a sexta-feira) e das 12 às 17h (sábados, domingos e feriados) Ingressos: Valor: GRÁTIS A Coleção de Arte Popular reúne peças representativas da Cultura Popular do Nordeste, coletadas entre as décadas de 50 e 60 do século XX, cujo núcleo inicial teve origem na coleção adquirida pelo cenógrafo e diretor de teatro Martim Gonçalves. O acervo reunido por Gonçalves e, posteriormente, ampliado pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi é composto por peças utilitárias e figurativas, dentre elas carrancas, ex-votos, imaginária, esculturas em cerâmica, fifós, panelas, potes de barro, brinquedos, utensílios domésticos e objetos criados a partir de materiais recicláveis, que mostram uma sintonia entre a arte e a vida cotidiana. Sobre o Museu: O Solar Ferrão é um espaço de arte, cultura e memória, instalado em um dos mais importantes monumentos da poligonal do Centro Histórico de Salvador. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938, o casarão construído entre o fim do século XVII e início do XVIII possui seis pavimentos e abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e quatro coleções: a de Arte Africana Claudio Masella, a de Arte Popular, as “Plásticas Sonoras” de Walter Smetak e Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi. Fonte: Visite o Brasil
Site criado por professor da UNB disponibiliza obras de filósofos africanos

É possível baixar gratuitamente mais de 30 livros de escritores do continente africano e outras 40 obras que trabalham o tema O professor de filosofia da Universidade de Brasília (UNB) Wanderson Flor do Nascimento criou um site educativo onde disponibiliza gratuitamente mais de 30 livros de escritores do continente africano e outras 40 obras que trabalham o tema. Há obras de Achille Mbembe, Mogobe Ramose e Cheikh Anta Diop, entre outros. O objetivo, segundo nascimento, é que os “materiais em língua portuguesa que possam subsidiar pesquisas sobre a filosofia africana e afro-brasileira, assim como auxiliar na tarefa de professoras/es do ensino fundamental e médio em acessar recursos ainda pouco conhecidos em nossa língua”. De acordo com ele, é preciso pensar a filosofia “em/desde outras cores”, mesmo porque desde 2003 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art. 26-A) determina que em todo o currículo dos ensinos fundamental e médio brasileiros estejam presentes conteúdos de história e cultura africana e afro-brasileira. “Trazer a filosofia africana para a educação brasileira aumenta o repertório de reflexões com o qual estudantes têm contato, ajuda a compreender as continuidades e descontinuidades entre o pensamento que produzimos aqui e o que se produziu e produz na África, fazendo com que possamos entender o que esse continente nos legou e, sobretudo, nos ajudou a desconstruir o racismo velado que paira sobre nossa sociedade, uma tarefa de cidadania”, afirmou em entrevista ao Jornal de Brasília. Fonte: Revista Fórum