Como melhorar a educação no Brasil?

O Brasil tem um problema na educação. De acordo com dados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado pelo governo federal), nenhum Estado brasileiro atingiu a meta do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2017, e cinco deles ainda tiveram queda em relação ao ano anterior. Em vez de 4,7, o Brasil conseguiu somente 3,8.

Durante o Café Exame Educação, realizado em São Paulo, no Palácio Tangará, ficou claro que as soluções principais são colocar a educação como prioridade, ter mais horas de ensino na grade, melhorar a formação de alunos no ensino básico e ser mais exigente na aceitação de alunos nos cursos de pedagogia.

“60% das pessoas que ingressam no curso de pedagogia têm nota abaixo na média do ENEM. Essa é a receita certa para dar errado. É muito difícil recuperar o nível de ensino em um curso de pedagogia, ainda mais em um curso ruim. Tem que existir uma nota de corte no ENEM para a entrada em cursos de pedagogia. O Chile fez isso já colhe frutos com a sua programação de dez anos. O professor é o principal profissional do país e precisamos investir nele”, disse Priscila Cruz, presidente do movimento Todos pela Educação.

Cruz indicou que os Estados brasileiros que mais avançam hoje são os que adotaram o modelo de ensino em tempo integral e foi enfática em destacar a importância da educação no ensino básico para evitar a defasagem do ensino acumulada que prejudica os alunos ao chegar ao ensino médio.

Já João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, é contra o método do IDEB para avaliar a educação no Brasil e espera que o governo aproveite a oportunidade das aposentadorias dos professores na próxima década para melhorar o nível de preparo desses profissionais. “O IDEB é um indicador muito ruim. Ele mistura banana com maçã e chama de frutas. É um índice falho. Ele mistura fluxo escolar com desempenho acadêmico”, declarou Oliveira.

Para melhorar a formação de professores, ele propõe uma solução nacional de dois tempos, para os profissionais atuantes e para os novos, argumentando que o país insiste em uma solução única para o segmento. “Temos excesso de professores e a maioria deles não deveria estar na sala de aula porque não tem capacidade para tanto”, disse.

Publicado originalmente no Portal EXAME

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